Crítico de Pequim. Bilionário Sun Dawu condenado a 18 anos de prisão

por Cristina Sambado - RTP
Thomas Peter - Reuters

O bilionário do setor agrícola Sun Dawu, uma das vozes críticas do regime de Pequim, foi condenado a 18 anos de prisão por vários crimes.

Sun, que é conhecido por criticar abertamente o Partido Comunista Chinês, foi detido em novembro de 2020. A sua empresa, a Hebei Dawu Agricultural and Animal Husbandry Group, possuiu várias propriedades agrícolas e emprega cerca de nove mil pessoas no processamento de aves e produção de alimentos para animais de estimação. Juntamente com a mulher, o empresário construiu uma das maiores empresas agrícolas da China, a partir de uma exploração com frangos e porcos, nos anos 1980.

Sun foi acusado de “mineração ilegal”, “ocupação ilegal de terras agrícolas”, “obstrução do serviço público”, “aglomeração de multidões para agredir órgãos do Estado” ou “provocar distúrbios”. Esta última acusação costuma ser usada contra críticos do regime na China.

De acordo com um comunicado do Tribunal Popular de Gaobeidian, na província de Hebei, norte da China, Sun Dawu foi condenado a 18 anos de prisão e multado em 3,11 milhões de yuans (405.000 euros).

O magnata, familiares e funcionários foram presos, após uma disputa de terras com uma quinta, propriedade do Governo de Hebei.
Defensor dos Direitos Humanos
Sun foi uma das poucas pessoas na China a acusar publicamente o Governo de Pequim de tentar encobrir a extensão do surto de gripe suína africana em 2019, que levou ao abate de mais de 100 milhões de porcos no país.

Em maio de 2019, numa entrevista à CNN, Sun afirmou que as autoridades locais apenas testaram os seus porcos quando ele começou a colocar fotos dos animais mortos na internet.

O julgamento do mediático empresário autodidata, de 67 anos, e líder de um grupo especializado em agricultura, foi apontado pelos seus defensores como tendo sido de caráter político.

Um grupo de defesa dos Direitos Humanos na China (CHRD) disse a 14 de julho, que o bilionário estava a ser levado a julgamento “como uma tentativa descarada de punir Sun pelo seu apoio aos Direitos Humanos”.

Sun Dawu fez contribuições extraordinárias para melhorar a vida dos cidadãos chineses que vivem nas zonas rurais. E, Ramona Li, uma das responsáveis do CHRD, recorda o apoio de Sun aos direitos humanos e sua grande preocupação com o bem-estar das pessoas marginalizadas pela economia chinesa.

A sentença surge numa altura em que as autoridades chinesas estão a fazer uma grande repressão às empresas privadas. Com Pequim a tentar colocar na “linha” os empreendedores do país.

Num conjunto de diretrizes divulgadas em setembro de 2020, o Partido Comunista afirmou que o setor privado necessitava de “pessoas politicamente sensatas” que “ouvissem com firmeza o partido”.

A sentença é uma das mais pesadas dos últimos anos contra um crítico do regime chinês. É igual ao infligido, no ano passado, a outro magnata, Ren Zhiqiang, condenado por corrupção.


Ren é apelidado de “o Canhão” pelas suas opiniões e foi um crítico do Presidente Xi Jinping pela sua estratégia na prevenção do SARS-CoV-2.

Num texto publicado em março de 2020, que foi atribuído a Ren Zhiqiang, o autor refere-se indiretamente a Xi como um “palhaço” sedento de poder.

c/ agências
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