Defesa diz que opositores foram torturados e mutilados na Guiné Equatorial

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O advogado de defesa dos 146 opositores detidos na Guiné Equatorial denunciou hoje, em declarações à agência de notícias EFE, que os acusados estão a dizer no julgamento que sofreram torturas e foram mutilados.

"É escandaloso, todos estão mutilados", explicou o advogado Fabián Nsue, que defende os 146 militantes do partido opositor Cidadãos para a Inovação (CI), acusados de participar nos distúrbios durante a campanha eleitoral das legislativas, que ocorreram em novembro.

No julgamento, que começou na segunda-feira e realiza hoje a sua quarta sessão, "os militantes estão a revelar as torturas a que foram submetidos", disse à EFE o líder do partido, Gabriel Nsé Obiang Obono, que não está entre os detidos.

O líder opositor declarou que "o ministro da Segurança (Nicolás Obama Nchama) está por trás das torturas".

Nsé Obiang Obono assegurou que há alguns detidos que têm de testemunhas sentados porque não se podem levantar da cadeira devido às torturas e acusou as forças de segurança governamentais de "crimes de lesa humanidade".

Os 146 detidos enfrentam acusações como sedição, atentado contra a autoridade ou danos, entre outros, apesar de, segundo Gabriel Nsé Obiang Obono, a maioria deles não terem estado nos distúrbios em que são acusados de participar, que decorreram em Aconibe, a 05 de novembro.

Segundo a oposição, dezenas de militantes realizam a campanha eleitoral nos dias anteriores à legislativas quando a polícia proibiu a entrada em Aconibe, no sudeste da Guiné Equatorial, dispersando os militantes com disparos de armas para o ar.

Cinco dias depois das eleições, que ocorreram a 12 de novembro, as forças de segurança detiveram quase duas centenas de opositores.

O advogado de defesa explicou hoje que nas suas conclusões finais, que previsivelmente acontecerão na sexta-feira, vai manter o pedido de absolvição de todos os acusados.

"Vê-se claramente que o próprio Governo é o responsável pelas acusações que faz" disse Nsé Obiang Obono, afirmando ser um julgamento político, no qual o Governo pretende eliminar o partido da oposição.

Em meados de janeiro, um membro do CI, Santiago Ebee Ela, apareceu morto e com sinais de violência quando se encontrava sob custódia das forças de segurança equato-guineenses.

A tensão começou no país em finais de dezembro, depois de frustrada a alegada tentativa de golpe de Estado, denunciada pelo Governo do Presidente Teodoro Obiang, no poder desde 1979, quando derrubou do poder o seu tio Francisco Macías num golpe militar.

O ministro da Segurança Nacional disse que um grupo de mercenários do Chade, do Sudão e da África Central entrou em 24 de dezembro em várias localidades equato-guineenses.

Ao mesmo tempo, a oposição denunciou que os militares cercaram durante dias a sede do partido CI, deixando-os sem água e sem comida, e detiveram cerca de 200 pessoas, um montante que o Governo baixou para uma dezena pela sua suposta participação em altercações durante a campanha eleitoral.

 

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