Detido proprietário de jornal de Hong Kong

por Mário Aleixo - RTP
Jimmy Lai dirigia um grupo de comunicação social em Hong Kong EPA

O empresário e uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong Jimmy Lai foi detido ao abrigo da nova lei de segurança nacional, anunciaram um colaborador e uma fonte policial.

"Foi detido em casa, às 00h00 desta segunda-feira em Lisboa", disse à agência de notícias France-Presse (AFP) Mark Simon, um dos colaboradores de Lai.

Simon acrescentou que outros membros do grupo de comunicação social dirigido por Jimmy Lai também tinham sido detidos.

Momentos antes, na rede social Twitter, Mark Simon tinha anunciado: "Jimmy Lai está agora a ser detido por conluio com potências estrangeiras".

Um responsável da polícia disse, a coberto do anonimato, à AFP que Lai foi detido por conluio com forças estrangeiras, um dos crimes previstos na nova lei de segurança nacional, e por fraude.

Através do Twitter, Mark Simon indicou ainda que a polícia estava a fazer buscas na casa de Lai e na do filho.

Jimmy Lai, de 72 anos, é o proprietário de duas publicações pró-democracia e frequentemente críticas de Pequim, o diário Apple Daily e o Next Magazine.

Visto por numerosos habitantes de Hong Kong como um herói e único magnata do território crítico de Pequim, Jimmy Lai é descrito nos meios de comunicação oficiais chineses como "um traidor", que inspirou as manifestações pró-democracia realizadas na região chinesa, e o líder de um grupo de personalidades acusadas de conspirar com nações estrangeiras para prejudicar a China.

Detenção esperada

Em meados de junho, duas semanas antes de ser aprovada a nova lei de segurança nacional, Jimmy Lai disse à AFP esperar a detenção.

"Estou pronto para ir para a prisão. Se isso acontecer, terei oportunidade de ler livros que ainda não li. A única coisa que posso fazer é ser positivo", afirmou.

Para o empresário, a nova lei "vai substituir" o regime legal de Hong Kong e "destruir o estatuto financeiro internacional" da cidade.

A lei da segurança nacional criminaliza atos secessionistas, subversivos e terroristas, bem como o conluio com forças estrangeiras para intervir nos assuntos da cidade.

Hong Kong regressou à soberania da China em 1997, com um acordo que garante ao território 50 anos de autonomia a nível executivo, legislativo e judicial, bem como liberdades desconhecidas no resto do país, ao abrigo do princípio "um país, dois sistemas", também aplicado em Macau, sob administração chinesa desde 1999.

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