Detido suspeito do envio de cartas armadilhadas em Espanha

por RTP
Reuters

A Polícia Nacional de Espanha prendeu esta quarta-feira o "alegado autor" do envio de cartas-bomba em novembro passado. O suspeito de 74 anos, detido na região de Burgos, terá enviado os envelopes armadilhados para várias instituições espanholas, incluindo a embaixada ucraniana em Madrid e a residência oficial do primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Foi em Miranda de Ebro, em Burgos, que as autoridades espanholas prenderam um homem suspeito de ter enviado seis cartas armadilhadas no final de novembro de 2022. De acordo com a imprensa espanhola, o "alegado autor" é um reformado de 74 anos e é, até agora, o único suspeito deste caso.

Não são conhecidos, para já, os motivos que terão levado o suspeito a enviar os envelopes nem se sabe se atuou sozinho. Segundo o jornal espanhol El País, o suspeito foi funcionário da Câmara Municipal de Vitória e não tem ligações a organizações terroristas. As autoridades estão, esta quarta-feira de manhã, a fazer buscas ao domicílio do alegado autor.

A detenção foi confirmada pelo ministro espanhol da Presidência, Félix Bolaños, que considerou os resultados da investigação "um sucesso para as forças de segurança do Estado", segundo a agência Efe.
As cartas armadilhadas, com dispositivos pirotécnicos de fabrico caseiro, foram enviadas às Embaixadas da Ucrânia e dos Estados Unidos mas também ao Ministério da Defesa Espanhol, a uma fábrica de armamento em Zaragoza, à base militar de Torrejon e ao próprio primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

O primeiro envelope com material explosivo foi detetado a 24 de novembro no Palácio de la Moncloa e enviado por correio normal. A carta foi, contudo, detida pelos serviços do Departamento de Segurança da Presidência durante os processos normais de de filtragem da correspondência.

Embora nenhuma das cartas contivesse qualquer ameaça, inicialmente as autoridades consideraram que estariam relacionadas à guerra na Ucrânia e ao apoio de Madrid a Kiev. Esta detenção acontece uns dias depois de a imprensa norte-americana revelar que os serviços de inteligência dos EUA acreditavam que o envio destes explosivos teria sido coordenado pelas secretas russas e orquestrado pelo Movimento Imperial Russo.

As autoridades espanholas não confirmaram haver ligação deste suspeito a alguma organização de cariz terrorista, mas admitiram que as investigações continuam.

"As buscas estão a ser realizadas. Vamos deixar que a investigação se desenvolva e não nos precipitemos”, disse à imprensa local o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
pub