São Tomé e Príncipe. Detidos presumíveis atacantes e militares após assalto a quartel

por Carlos Santos Neves - RTP
Além dos atacantes, foram detidos militares alegadamente envolvidos no ataque

As forças de segurança são-tomenses detiveram esta sexta-feira militares que alegadamente permitiram a entrada de um grupo de atacantes num quartel militar. Foi ainda detido Delfim Neves, ex-presidente da Assembleia Nacional. O assalto foi dado como neutralizado ao início da manhã. O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, afiança que a situação está "calma".

Chegou a ser noticiada a morte de pelo menos uma pessoa. As autoridades corrigiram posteriormente esta informação. Um tenente ficou ferido depois de ter sido feito refém, mas não corre perigo de vida.
O primeiro-ministro são-tomense veio garantir que a situação no país é agora "calma", afirmando esperar "mão firme" por parte da justiça.

"Quero dizer aos são-tomenses, os que residem no país, e à comunidade estrangeira que a situação está controlada, está calma", declarou Patrice Trovoada em conferência de imprensa.Foram detidos o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves e Arlécio Costa, antigo oficial do Batalhão Búfalo, condenado em 2009 por alegada tentativa de golpe de Estado.


"Não se trata de um roubo, não se trata de um furto. Trata-se de um ataque com armas de guerra às Forças Armadas do país e temos primeiro que resolver esse problema", frisou o governante.

Trovoada considerou o caso "de extrema gravidade", sem deixar de enfatizar que "as Forças Armadas têm a situação sobre controlo".

"Espero que a justiça faça o seu trabalho. São Tomé e Príncipe não merece todos estes problemas. O povo é soberano, o povo escolheu essa equipa para conduzir os destinos", prosseguiu.
Antena 1

"Queremos o apuramento total da verdade. Não é a primeira vez que sofremos tais situações, a última foi durante o meu mandato, em 3 de agosto de 2018", recordou o primeiro-ministro são-tomense, referindo-se a uma alegada tentativa de golpe, na qual foram detidos três alegados mercenários espanhóis, a pouco mais de um mês das eleições legislativas, que acabaram por ser libertados sem acusações.

"Tudo indica", ainda de acordo com Patrice Trovoada, que o ataque da madrugada ocorreu "a mando de algumas personalidades".
"Portugal apoia ordem constitucional"

Os disparos com armas de guerra começaram cerca da 1h00 e, pelas 6h00, ainda era possível ouvir tiros nas imediações das instalações militares. As ruas que circundam o quartel situado na capital do país foram bloqueadas e cercadas por miltares.Alguns residentes do bairro miitar decreveram a situação como muito tensa.


Pelo menos quatro homens tomaram o complexo militar de assalto.

Ouvido pela agência Lusa, o ministro são-tomense da Defesa e Administração Interna, Jorge Amado, indicou que, para além dos atacantes, foram detidos militares alegadamente envolvidos no ataque.

Os assaltantes, apurou a Lusa, terão idades entre os 21 e os 24 anos e tiveram a ajuda de "alguns soldados internos, que permitiram a entrada no quartel".

O ministro português dos Negócios Estrangeiros já se pronunciou sobre os acontecimentos em São Tomé.


No Twitter, João Cravinho escreveu que "Portugal apoia sem hesitação a ordem constitucional em São Tomé e Príncipe, considerando inadmissível qualquer tentativa de utilização de violência para fins políticos".

c/ Lusa
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