Diplomacias europeias exigem à Itália libertação da comandante de navio humanitário

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O MNE alemão, Heiko Maas, e agora também o seu homólogo luxemburguês Jean Asselborn reclamaram a imediata libertação da comandante do "Sea Watch 3", Carole Rackete. A extrema-direita alemã defende a detenção da sua concidadã pelo Govero italiano.

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, admitiu num tweet que  "compete à Justiça italiana pronunciar-se rapidamente sobre as acusações". Mas foi lembrando que "o resgate de náufragos não pode ser criminalizado" e, sobretudo, que "salvar vidas humanas é um dever humanitário" - o dever que Rackete cumpriu e cujo cumprimento a Itália de Matteo Salvini está a obstruir.



Também o ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, na forma diplomaticamente invulgar de uma carta aberta ao seu homólogo italiano Enzo Moavero Milanesi, instou-o a intervir por uma imediata libertação de Carola Rackete.

Na carta, diz Asselborn que a comandante do navio se viu confrontada com "o dever de levar 40 migrantes para Lampedusa". Também ele, como Maas, afirma que "salvar vidas humanas é um dever e não devia nunca ser [tratado como] um delito ou um crime". E também ele, e com clareza ainda maior que a de Maas, envia ao Governo italiano o recado que sugere a possibilidade de sentar Salvini perante o Tribunal Penal Internacional: "Pelo contrário: não salvar alguém é um crime".

Do MNE português não se conhece até agora qualquer tomada de posição sobre a detenção de Rackete, embora Portugal seja um dos cinco países europeus que se ofereceram para acolher um certo número de migrantes do "Sea Watch 3". Mas o Governo italiano está a reter os migrantes, afirmando que pretende obter "garantias fiáveis".

Num vídeo da organização humanitária Sea Watch, Rackete tinha declarado que esperara muito tempo por uma solução e anunciara que iria então entrar no porto italiano, assumindo as consequências que daí pudessem advir. As autoridades italianas fizeram saber que podem pedir para ela uma pena de até dez anos de prisão.

E também o ministro italiano do Interior e político da extrema-direita Matteo Salvini subiu o tom da confrontação retórica e comentou no Twitter: "A Itália não aceita lições de ninguém". Ao que acrescentou: "Comandante criminosa detida, navio pirata apreendido, pena máxima para a NGO estrangeira".

Na Alemanha, há reacções mais enérgicas que a de Heiko Maas e outras, da extrema-direita ("Alternativa para a Alemanah", AfD), visíveis em tweets de resposta a Maas, que apoiam incondicionalmente o Governo italiano contra a comandante alemã.

Entre as primeiras conta-se a do dirigente verde Robert Habeck em entrevista à Redaktionsnetzwerk Deutschland, considerando que o verdadeiro escândalo é "o afogamento no Mediterrâneo, a inexistência de vias legais de fuga e a inexistência de um mecanismo de distribuição na Europa"

Também a Igreja Evangélica alemã, pela voz do seu presidente Heinrich Bedford-Strohm, exclamou: "Uma jovem detida num país europeu por salvar vidas e por querer trazer para terra em segurança as pessoas que salvou - uma vergonha para a Europa!"

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