Diplomata António Monteiro diz que maioria"é convincente"

| Mundo

O diplomata António Monteiro disse hoje acreditar que a maioria absoluta alcançada por Emmanuel Macron na segunda volta das eleições legislativas em França "é convincente" e que futuramente o eixo franco-alemão poderá caminhar com maior estabilidade".

Em declarações à agência Lusa, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que "esta presidência é decente e convincente".

O partido centrista do Presidente francês, Emmanuel Macron, alcançou no domingo uma vitória clara na segunda volta das legislativas com 341 dos 577 assentos, numa eleição marcada por uma abstenção sem precedentes de quase 57 por cento.

No entender de António Monteiro, a maioria que Macron tem na assembleia "significa que futuramente a Europa, o eixo franco-alemão poderá caminhar com maior estabilidade e mais harmonia".

"Esta presidência é considerada muito decente e num estado político mais aliviado que vai buscar apoios à esquerda e à direita, mas que tem o elemento do bom senso e elementos de afirmação positiva quer no que respeita às reformas, que nas questões de segurança e sobretudo no projeto europeu que eu acho serem viáveis", disse.

António Monteiro disse à Lusa esperar que o Governo de Emmanuel Macron possa "cumprir com o que prometido para bem" da Europa.

"Espero que o Governo de Macron possa cumprir para bem da Europa e para que possamos resolver os problemas sérios que temos como o `Brexit` que hoje começa, de maneira mais assertiva e com uma visão mais certa do que pode ser o futuro da Europa", sublinhou.

No entender do diplomata, o resultado eleitoral e o nível de abstenção "não surpreenderam ninguém".

"Tudo apontava para uma vitória confortável de Macron e foi o que se verificou e isso desmobiliza um pouco quando se crê que o resultado eleitoral vai numa determinada direção. Corresponde ao que é tradicional na política francesa. Quando o Presidente é eleito, a seguir nas legislativas é habitual dar-se uma maioria para que ele possa governar e cumprir o que prometeu durante a campanha eleitoral", explicou.

Na opinião de António Monteiro, o que os franceses fizeram foi "racionalizar o voto".

"Com Macron temos uma França que entrou num clima de maior normalidade no quadro de uma profunda transformação dos partidos políticos, mas em que se volta de novo a crer que a França tem um futuro definido e uma orientação certa não só do ponto de vista interno como do ponto de vista europeu e esse é elemento fundamental", disse.

O partido presidencial A República em Marcha e o seu aliado MoDem conquistaram, segundo números divulgados pelo Ministério do Interior francês à 01:00 (meia noite em Lisboa) - e sem contar as circunscrições da emigração - 341 dos 577 lugares no parlamento, muito acima dos 289 necessários para a maioria absoluta.

Esta vitória fica, no entanto, marcada pela elevada abstenção, que segundo os resultados quase definitivos atinge um recorde de 56,83%.

Este resultado histórico explica-se pela vaga pró-Macron anunciada, pela longa maratona eleitoral, que começou em outubro com as primárias da direita, e com um crescente desinteresse da política.

Tópicos:

Emmanuel Macron, MoDem,

A informação mais vista

+ Em Foco

A Redação da RTP votou sobre as figuras e acontecimentos mais destacados, a nível nacional e internacional. Veja aqui as escolhas.

    O embaixador russo em Lisboa afirma, em entrevista à RTP, que as declarações e decisões de Donald Trump sobre Jerusalém podem incendiar todo o Médio Oriente.

    As sondagens para as presidenciais brasileiras colocam em segundo lugar um deputado federal defensor da ditadura que governou o país durante 20 anos e que é acusado de homofobia.

    Uma caricatura do mundo em que vivemos.