"Direitos dos palestinianos não estão à venda". A resposta a Trump

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Os palestinianos dizem que não vão ceder "à chantagem" dos Estados Unidos. O aviso foi feito esta quarta-feira por um responsável palestiniano e surge na sequência da ameaça do Presidente norte-americano de cortar a ajuda financeira à Autoridade Palestiniana.

"Não cederemos à chantagem", disse Hanan Ashrawi, membro do comité executivo da Organização para a Libertação da Palestina sobre a recente decisão do Presidente dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

E acrescentou: "O Presidente Trump sabotou a nossa procura de paz, liberdade e justiça. E agora atreve-se a culpar os palestinianos pelas consequências das suas próprias ações irresponsáveis".

Em resposta à ameaça de Trump, a Organização para a Libertação da Palestina acusou Trump de estar "a sabotar a busca pela paz" na região. "Os direitos palestinianos não estão à venda. Ao reconhecer Jerusalém ocupada como capital de Israel, Trump não só violou a lei internacional, como destruiu as bases da paz, aceitando a anexação ilegal da cidade por Israel", referiu Ashrawi.

Bruce Young - Reuters
Hanan Ashrawi - Organização para a Libertação da Palestina

Na terça-feira Donald Trump ameaçou cortar a ajuda financeira dos Estados Unidos à Autoridade Nacional Palestiniana por se recusar a participar no processo de paz no Médio Oriente, depois de Washington ter reconhecido, a 6 de dezembro, Jerusalém como a capital de Israel.

"Não é só ao Paquistão que pagamos milhares de milhões de dólares para nada, mas também a muitos outros países e outros", escreveu ontem. "Por exemplo, pagamos aos palestinianos CENTENAS DE MILHÕES DE DÓLARES por ano e não obtemos qualquer estima ou respeito. Eles nem sequer querem negociar um há muito esperado tratado de paz com Israel. Tirámos Jerusalém da mesa, a parte mais difícil da negociação, mas Israel, por causa disso, terá de pagar mais. Mas com os palestinianos a dizerem que já não querem negociar a paz, porque é que haveríamos de manter estes pagamentos imensos no futuro?", escreveu o Presidente norte-americano na rede social Twitter.


A decisão de Trump sobre Jerusalém foi saudada por Israel mas desencadeou distúrbios e confrontos entre os palestinianos, que resultaram na morte de 13 palestinianos.

Na altura, Donald Trump disse que não especificava as fronteiras da soberania israelita na cidade e pediu que não se modificasse o estado das coisas dos locais sagrados de Jerusalém.

Em reação ao anúncio de Donald Trump, o Presidente da ANP, Mahmud Abbas, afirmou que Washington não pode atuar como mediador do processo de paz e suspendeu os contactos com representantes norte-americanos.

A decisão sobre Jerusalém continua a ser contestada pela maioria da comunidade internacional. Em dezembro, uma semana depois do anúncio de Trump, 128 dos 193 países da ONU aprovaram uma resolução contrária à vontade dos Estados Unidos, na qual a decisão dos norte-americanos é descrita como "nula e vazia".

Até esse momento, os EUA eram os que mais contribuíam para a agência da ONU - mais de 300 milhões de euros em 2016.

Em conferência de imprensa e já depois de ter sugerido que a administração Trump pode vir a cumprir a promessa de reduzir a sua contribuição para o Orçamento da ONU, a embaixadora norte-americana Nikki Haley declarou: “O Presidente disse basicamente que não quer dar fundos adicionais, ou que quer suspender o financiamento, até que os palestinianos aceitem voltar à mesa de negociações."

A embaixadora norte-americana condenou ainda a tomada de posição da maioria dos Estados-membros da ONU, classificando a resolução não-vinculativa como "pouco útil para a situação".

"Os palestinianos agora terão de mostrar a sua vontade de vir para a mesa. Neste momento, não estão a fazê-lo mas pedem ajuda. Não vamos ajudar, vamos garantir que eles voltam à mesa”.


c/ agências internacionais

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