Diretor do FBI preocupado com o crescimento de violência com motivações políticas

por RTP

Christopher Wray testemunhou perante o Senado norte-americano e falou do aumento rápido da violência politicamente motivada, especialmente relacionada com a decisão do Supremo Tribunal sobre o aborto. O diretor do FBI disse que a situação está a tornar-se num fenómeno de 365 dias.

Wray explicou que o FBI abre todos os dias cada vez mais casos relacionados com a disparidade de opiniões que causam decisões como a do Supremo sobre o aborto. O diretor do FBI falou da intensificação da violência de ambos os lados do espetro político.

“Penso que isto faz parte de um fenómeno muito maior e que estamos a experienciar nos Estados Unidos neste momento. Percebo as paixões das pessoas, especialmente sobre assuntos como o aborto, mas existem demasiadas pessoas que pensam que isso justifica o uso de violência, destruição de propriedade e ameaças de violência”.

“Penso que todos os dias recebo informação sobre alguém a atirar um cocktail molotov a outra pessoa por causa deste tipo de assuntos. É de loucos!”.

Depois das declarações de Wray à senadora democrata Amy Klobuchar, o FBI acusou um homem de atear fogo a um edifício da Planned Parenthood, ligada às questões do aborto, no Michigan, na cidade de Kalamazoo.

Com o aumento de casos, Christopher Wray disse que o envio de autoridades para repor a normalidade não vai ser limitado devido aos espetros políticos em conflito.

“Do nosso ponto de vista, não me interessa de que lado as pessoas estão, não me interessa com quem estão chateados ou com o que estão chateados, seja aborto ou outro assunto qualquer, não se pode utilizar violências e ameaças para atuar sobre o assunto. E vamos reprimir esse comportamento de forma agressiva. Estou convicto dessa ideia e passei essa ideia a todos os nossos operacionais”.

Não é a primeira vez que Christopher Wray faz comentários do género. No ano passado, o diretor do FBI falou do mesmo fenómeno relacionado com a invasão do Capitólio, em Washington, a 6 de janeiro de 2021.

A saída dos países ocidentais do Afeganistão também está a levar ao crescimento das ameaças vindas de fora. Christopher Wray acredita que o facto de não ter uma base de informações sólidas no Afeganistão está a fazer aumentar o número de ameaças à organização.

“Estou preocupado com a perda de fontes que temos por lá e de informação secreta que temos sobre o Afeganistão”, acrescentou Wray.
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