Diretor-geral da OIM diz que fenómeno migratório é hoje uma prioridade na agenda global

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O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing, disse hoje que o fenómeno da migração passou a ser uma prioridade na agenda global na última década devido a uma evolução internacional com contornos excecionais.

O diplomata norte-americano falava em Genebra (Suíça) numa conferência de imprensa em que fez um balanço do seu percurso na liderança da OIM, cargo que assumiu em 2008 e que deixará após a eleição do seu sucessor no próximo mês de junho.

Para William Lacy Swing, o registo de uma dezena de conflitos armados, a divisão demográfica entre o norte e o sul, as alterações climáticas e a revolução digital foram os aspetos que moldaram de forma crucial o fenómeno migratório nos últimos 10 anos.

E, segundo frisou o representante, vão continuar a ser elementos chaves para a compreensão e para a gestão das migrações, área que no passado suscitou um interesse "muito limitado", mas que na atualidade se tornou "uma prioridade".

"Vou sair num momento em que a migração é uma super tendência do nosso século", declarou o diretor-geral da OIM, reconhecendo que a adoção por parte de alguns países de políticas anti-migrantes e anti-refugiados será "um dos principais desafios" a ter em conta no futuro.

Sobre o Pacto Mundial para os Migrantes e Refugiados, promovido pelas Nações Unidas e ainda em fase de negociações, William Lacy Swing mostrou-se "otimista", referindo que este acordo deve ser encarado como um "processo dinâmico" que não deve acabar com a assinatura de um documento final "porque existirão questões sobre as quais se deve continuar a dialogar".

Este pacto representa um compromisso internacional adotado em 2016, no âmbito da Assembleia-geral da ONU, para abordar de forma uníssona os principais desafios dos movimentos migratórios e da cooperação global.

Em dezembro de 2017, os Estados Unidos anunciaram que abandonavam o pacto mundial.

"Estamos a tentar promover muitas iniciativas ao abrigo do pacto mundial", assegurou Swing, destacando, por exemplo, os esforços para impedir a criminalização dos migrantes.

O diretor-geral da OIM admitiu que, neste momento, tais esforços não estão a ser bem-sucedidos, mas frisou que tal meta é um "projeto em construção".

"Neste momento, o diálogo passa por tentar convencer os governos a não confinarem os imigrantes indocumentados em centros de detenção", indicou.

Esta conferência de imprensa de William Lacy Swing acontece no mesmo dia em que estão previstas audições aos candidatos ao cargo de diretor-geral da OIM, cuja eleiçao está programada para junho.

Entre os candidatos encontra-se o ex-ministro e ex-eurodeputado português António Vitorino. A costa-riquenha Laura Thompson, a atual diretora-geral adjunta da organização, e o norte-americano Ken Isaacs são os restantes candidatos.

A candidatura de António Vitorino foi formalizada pelo governo português em dezembro do ano passado.

Na terça-feira, numa audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o ministro dos Negócios Estrangeiros português admitiu que a eleição para o cargo de diretor-geral da OIM é um processo "muito difícil".

"É uma eleição muito difícil. Vamos trabalhar para que possamos ter o resultado que almejamos, com a consciência plena da extrema dificuldade de o atingir", disse Augusto Santos Silva.

A OIM é atualmente a principal organização intergovernamental dedicada à área das migrações. A organização só teve um diretor-geral que não era norte-americano desde a sua criação em 1951.

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