Dissidência da Renamo ameaça inviabilizar governação no Centro e Norte de Moçambique

por Lusa

O líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo ameaçou hoje inviabilizar a governação de seis províncias do Centro e Norte de Moçambique caso seja ignorada uma carta de reivindicações alegadamente enviada às autoridades.

"Se o Governo não quer negociar com a Junta Militar não vai governar em seis províncias. Se conseguir governar, vai governar à força, mas terá sempre consequências", disse à comunicação social por telefone Mariano Nhongo, a partir de um ponto incerto do Centro de Moçambique.

A Junta Militar da Renamo, um grupo dissidente do principal partido de oposição chefiado por Nhongo, antigo líder de guerrilha, contesta a liderança da Resistência Nacional Moçambicana e as condições para a desmobilização decorrentes do acordo de paz, sendo apontada pelas autoridades como a responsável pelos ataques armados no centro do país que já mataram, pelo menos, 30 pessoas desde 2019.

Segundo Nhongo, o documento contendo as exigências para reintegração dos seus guerrilheiros foi enviado ao Governo e ao grupo de contacto das negociações de paz em 02 de outubro do ano passado.

"Se o Governo continuar no silêncio, chegará o tempo em que anunciaremos ao mundo sobre quando vamos iniciar com as nossas ações. Eu não estou a fazer nada porque estou à espera da resposta do Governo", referiu Nhongo.

Nos últimos meses, vários membros influentes do grupo abandonaram as matas e juntaram-se ao processo de paz, mas o seu líder mantém as revindicações, acusando os desertores de traição.

"Se continuar a ouvir os traidores, o Governo estará a queimar tempo", frisou o antigo líder de guerrilha da Renamo.

O acordo de paz em Moçambique foi assinado em agosto de 2019 pelo chefe de Estado moçambicano e pelo presidente da Renamo, prevendo, entre outros aspetos, as condições do processo de Desmilitarização, Desarmamento e Reintegração (DDR) do braço armado do principal partido de oposição.

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