Do IRA ao Sinn Féin e à paz. Morreu Martin McGuinness

| Mundo

A primeira-ministra britânica saudou o papel desempenhado por McGuinness na “saída do movimento republicano da violência”
|

O antigo vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte Martin McGuinness, rosto do IRA e do movimento nacionalista republicano convertido à paz, morreu na última noite aos 66 anos, vítima de doença cardíaca. O Sinn Féin deixou já uma nota de “imensa tristeza”. E a primeira-ministra britânica atribuiu-lhe um “contributo essencial e histórico”.

Bloody Sunday, ou Domingo Sangrento. No dia 30 de janeiro de 1972, em Derry, na Irlanda do Norte, o exército britânico matava 13 republicanos. Martin McGuinness era então o número dois do IRA, o Exército Republicano Irlandês.
Martin McGuinness demitira-se em janeiro deste ano do cargo de vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte, na sequência de um desentendimento com o unionista DUP, o outro partido no poder. Abandonou pouco depois a política.

Num longo trajeto, partindo da luta armada, tornar-se-ia um elemento fulcral no processo de paz da Irlanda do Norte. Trabalhou no seio do Governo de poder partilhado saído do Acordo de Sexta-Feira Santa, assinado a 10 de abril de 1990 em Belfast.

“Era um republicano apaixonado que trabalhou sem descanso para a paz e a reconciliação e pela reunificação do seu país. Mas amava toda a sua família e as gentes de Derry, de que se orgulhava imensamente”, reagiu Gerry Adams, o líder histórico do partido de McGuinness, Sinn Féin.

Também o Presidente irlandês Michael Higgins quis anotar “o imenso contributo para a paz e a reconciliação na Irlanda do Norte”.

De Londres para a Irlanda do Norte, a primeira-ministra britânica apontou o papel desempenhado por Martin McGuinness no processo que levou o movimento republicano a “sair da violência”. “Ao agir dessa forma, ele deu um contributo essencial e histórico no caminho para a paz na Irlanda do Norte”, acrescentou Theresa May.
“Um republicano impenitente”

McGuinness chegou a ter o estatuto de inimigo público número um no auge do conflito da Irlanda do Norte entre nacionalistas, de maioria católica, e unionistas, de maioria protestante. Uma guerra civil que perdurou de 1967 a 1998 e que causou mais de três mil mortos.
“A minha guerra terminou. A minha missão, enquanto dirigente político, é impedir essa guerra”, afirmava Martin McGuinness num documentário de 2002.
Nos anos mais sangrentos do conflito, a imprensa britânica chamou ao dirigente católico do IRA “o mais perigoso inimigo da coroa”.

Quando trocou a boina de guerrilheiro pelo fato de político, Martin McGuinness recusou-se a ocupar um assento no Parlamento de Westminster, contestando uma vez mais a soberania de Isabel II. Acabaria, contudo, por se encontrar por várias ocasiões com a monarca. O último destes encontros aconteceu em junho de 2016.


Foto: Russell Boyce - Reuters

“Sou um republicano impenitente, mas reconheço o grande contributo da Rainha Isabel para a paz e a reconciliação”, admitia então à saída da conversa.

Citado pela BBC, Colin Parry, que em 1993 perdeu um filho de 12 anos num atentado à bomba do IRA em Warrington, referiu-se a McGuinness como um “homem sincero no seu desejo de paz”, sem ir ao ponto de o perdoar.

Tópicos:

IRA, Irlanda do Norte, Martin McGuinness, Reino Unido, Sinn Féin, Theresa May, Vice-primeiro-ministro,

A informação mais vista

+ Em Foco

No 20.º aniversário da Exposição Universal sobre os Oceanos, a Antena 1 e a RTP estiveram à conversa com alguns dos protagonistas do evento.

    Um dos mais conceituados politólogos sul-coreanos revelou à RTP o modo de pensar e agir de Pyongyang.

    Portugal foi oficialmente um país neutro na 2ª guerra Mundial. Mas isso não impediu que quase mil portugueses tivessem sido deportados, feitos prisioneiros ou escravos pelos nazis.

      Uma caricatura do mundo em que vivemos.