Donald Trump elogia congressista que agrediu jornalista

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O presidente norte-americano elogiou a atitude de Greg Gianforte, um congressista do Estado de Montana, depois de este ter atacado um jornalista do Guardian durante uma eleição para o Congresso do estado.

O incidente aconteceu a 24 de maio de 2017 quando o jornalista, Ben Jacobs, colocou uma questão ao congressista sobre políticas de saúde.

Em declarações ao Guardian, uma equipa de televisão do canal Fox News, que testemunhou o episódio, afirmou que Gianforte “agarrou Jacobs pelo pescoço com as duas mãos” e, de seguida, “atirou-o ao chão e esmurrou-o”. Jacobs foi levado para o hospital depois de ter sofrido lesões num cotovelo.

O congressista declarou-se culpado a uma acusação de agressão apresentada pelo correspondente político do The Guardian e foi condenado a quatro dias de prisão. A sentença foi, mais tarde, alterada para 40 horas de serviço comunitário, uma multa e um curso de controlo de comportamento.

O mesmo jornal refere que os comentários de Donald Trump sobre o incidente constituem a primeira vez que o presidente norte-americano “elogiou abertamente um ato violento contra um jornalista em solo americano” e destaca, ainda, que tais comentários são infelizes, tendo em conta o caso recente de um jornalista que terá sido assassinado na Turquia.

Jamal Khashoggi, um crítico da família real saudita, terá sido morto a 2 de outubro, no consulado da Arábia Saudita, em Istambul. As investigações apontam, cada vez mais, para o envolvimento do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, no crime. Trump, inicialmente, recusou acusar o monarca, mas a sua posição começa a alterar-se face aos resultados das investigações e aos relatos do secretário de Estado, Mike Pompeo, relativos à sua visita à Arábia Saudita para discutir o caso Khashoggi com os líderes sauditas.

O editor de The Guardian comentou a polémica em torno do presidente Donald Trump, através de um comunicado. John Mulholland disse que “o presidente dos Estados Unidos aplaudiu a agressão a um jornalista americano que trabalha para o Guardian”. O editor acusa Trump de violar a primeira emenda da Constituição dos Estados Unidos, “a qual jurou proteger”, ao ter celebrado este ato de violência contra um jornalista “que estava apenas a fazer o seu trabalho”.

Mulholland conclui o comunicado com uma ligação da polémica ao desaparecimento de Jamal Khashoggi: “No seguimento do assassinato de Jamal Khashoggi, [este episódio] corre o risco de convidar a outras agressões a jornalistas aqui [nos EUA] e por todo o mundo, onde eles enfrentam perigos muito maiores. Nós esperamos que pessoas decentes denunciem estes comentários e que o presidente ache adequado pedir desculpa por eles”.

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