Donald Tusk aponta verdadeiro problema quando a imprevisibilidade vem dos EUA

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O presidente do Conselho Europeu afirmou hoje, em Sófia, que "o verdadeiro problema geopolítico" é quando a imprevisibilidade chega do "amigo mais chegado", e saudou a unidade da União Europeia nos temas que a separam atualmente dos Estados Unidos.

Na conferência de imprensa no final da cimeira da UE com os Balcãs Ocidentais, Donald Tusk e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deram conta da unidade dos 28 nos dossiês do acordo nuclear com o Irão e das relações comerciais com os Estados Unidos, tendo o presidente do Conselho Europeu insistido nas críticas às ações "imprevisíveis" da atual administração norte-americana, liderada por Donald Trump.

Quando questionado sobre o facto de, na questão do acordo nuclear, a União Europeia estar aparentemente a tomar partido do regime iraniano, conhecido no passado pela sua imprevisibilidade, Tusk retorquiu que a imprevisibilidade é mais delicada quando parte dos mais próximos, e não de alguém sobre quem já não há expectativas de maior.

"Eu acho que o verdadeiro problema geopolítico não é quando temos um adversário ou inimigo ou mesmo um parceiro imprevisível, o problema é se o nosso amigo mais chegado é imprevisível. Não é uma piada, porque acho que esta é a essência do nosso problema hoje com os nossos amigos do outro lado do Atlântico", declarou Tusk.

"Não temos ilusões ou grandes expectativas em relação ao Irão e à sua atitude para com a UE e o mundo ocidental. Mas temos as maiores expectativas em relação a Washington", comentou.

O presidente do Conselho Europeu, que na véspera já havia sido bastante crítico relativamente aos "caprichos" do presidente norte-americano - questionando mesmo "com amigos destes, quem precisa de inimigos?" --, acrescentou que até pode "concordar com o presidente Trump quando ele diz que a imprevisibilidade pode ser uma arma muito poderosa em política, mas apenas contra inimigos ou adversários".

"A imprevisibilidade é, na minha opinião, a última coisa de que precisamos quando somos amigos", disse, voltando a pedir a Washington uma atitude mais "consistente e previsível" e "menos assertividade caprichosa".

Tusk indicou que, em Sófia, foi decidido, "de forma unânime, que a UE permanecerá no Acordo (nuclear) enquanto o Irão permanecer totalmente comprometido com o mesmo", sendo que "a Comissão Europeia recebeu luz verde para estar pronta a agir se os interesses europeus forem afetados".

"Enquanto os iranianos honrarem os seus compromissos, a União Europeia evidentemente manter-se-á neste acordo, do qual a UE foi dos grandes arquitetos", apontou por seu turno Juncker, acrescentando que a Comissão lançará na sexta-feira o processo de bloqueio das sanções norte-americanas (ao Irão), em defesa das empresas europeias.

Já quanto às relações comerciais com os Estados Unidos, ambos os líderes sublinharam que a União só admite negociar com Washington se for afastada em definitivo a ameaça de imposição de taxas alfandegárias norte-americanas às importações de aço e de alumínio, das quais a UE está provisoriamente isenta.

"Alcançámos uma abordagem única que reforçará a Comissão nas suas negociações em curso. Mas apenas se os EUA decidirem a total isenção de taxas sobre o aço e alumínio", disse Tusk.

Também Juncker reafirmou de forma "muito clara" que a Europa só está disposta a negociar com o seu "parceiro transatlântico" se beneficiar se isenções ilimitadas às tarifas propostas.

"Não vamos negociar com esta ameaça sobre nós, é uma questão de dignidade", declarou.

Numa cimeira dedicada aos Balcãs Ocidentais, as relações atualmente complicadas da UE com Washington estiveram sempre em pano de fundo, tendo na quarta-feira o primeiro-ministro, António Costa, comentado que os Estados Unidos têm dado "um contributo negativo" à paz mundial, e defendeu que a Europa deve assumir-se como uma voz alternativa e um fator de estabilidade e paz no Mundo.

"O Mundo cada vez mais precisa de uma Europa forte, que seja uma voz alternativa e que seja um fator de estabilidade, de paz, progresso e solidariedade neste Mundo onde se vão multiplicando os fatores de crise e de tensão e onde os EUA não têm dado um bom contributo, para não dizer um contributo negativo", disse o primeiro-ministro português em Sófia.

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