Doze Estados europeus apelam a que Israel desista de construir três mil casas em colonatos

por RTP
O colonato israelita de Har Homa na Cisjordânia, em outubro de 2021 Ammar Awar - Reuters

Quase metade dos Estados-membros da União Europeia, mais o Reino Unido e os Estados Unidos, pediram a Israel que abandone a intenção confirmada esta semana de construir mais de três mil casas para colonos na Cisjordânia. A Autoridade Palestiniana já protestou oficialmente contra os planos de Israel.

Quarta-feira, o comité da Administração Civil deu a autorização final para a construção de 1.800 casas nos territórios ocupados e um pré-consentimento para mais 1.344, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa que trata de questões civis nos territórios palestinianos.

Apelamos a que o Governo de Israel recue na sua decisão de avançar com planos de construção de cerca de 3.000 casas em colonatos na Cisjordânia”, lia-se no comunicado assinado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Noruega, Países Baixos, Polónia e Suécia. "Reiteramos a nossa oposição firme a esta política de expansão de colonatos em todos os territórios ocupados da Palestina, que viola a lei internacional e fragiliza os esforços para implementar a solução de dois Estados”, referia o texto dos europeus.

Os Estados Unidos criticaram igualmente os planos israelitas e o Reino Unido emitiu isolado um comunicado semelhante ao dos países europeus.

No seu próprio texto, o Reino Unido afirma que os colonatos “são ilegais à luz da legislação internacional e representam um obstáculo à paz e à estabilidade”, apelando a que Israel reverta a decisão.

Cerca de 475.000 colonos judeus residem na Cisjordânia, onde também vivem 2,8 milhões de palestinianos.
Protestos dos EUA ignorados
A 24 de outubro, o Ministério da Construção israelita anunciou a decisão de construir 1.355 novas casas para colonos judeus na Cisjordânia ocupada, a juntar a outras quase 2.000 já anunciadas em agosto. "As licitações para 1.355 unidades habitacionais em localidades da Judeia-Samaria [nome dado por Israel à Cisjordânia] foram publicadas de acordo com a orientação do ministro da Construção, Zeev Elkin", referia o comunicado do Ministério.

Os novos alojamentos serão distribuídos por sete colonatos, 729 em Ariel (norte da Cisjordânia), 346 em Beit-El (perto de Ramallah) e 102 em Elkana (noroeste da Cisjordânia), adiantou então o ministério.

Faltava apenas a autorização do Ministério da Defesa, obtida a 27.

Terça-feira, o Departamento de Estado norte-americano assumiu “grande preocupação” com os planos de Israel quanto a novas casas para judeu nos territórios, várias em plena Cisjordânia.

“Opomo-nos com firmeza à expansão dos colonatos, que é totalmente inconsistente com os planos para abrandar tensões e garantir a calma e prejudica a perspetiva da solução de dois Estados”, disse aos repórteres em Washington o porta-voz do Departamento, Ned Price, horas antes de Israel aprovar a construção das novas casas apesar da oposição norte-americana.
Fosso crescente
Logo depois de o comité de planeamento israelita anunciar os seus planos, o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Jerusalém, Michael Ratney, falou com o principal conselheiro do primeiro-ministro Naftali Bennet para os negócios estrangeiros, para manifestar a opinião negativa de Washington face às intenções israelitas.

A conversa entre ambos foi “difícil”, reportou depois o jornal Axios, com o norte-americano a protestar contra o facto de muitos dos novos colonatos estarem planeados para o interior da Cisjordânia. A The Times of Israel fontes oficiais israelitas reconheceram o desacordo mas negaram as “dificuldades” relatadas pelo Axios.A decisão de Israel quanto aos colonatos aprofunda o fosso de desacordo com os Estados Unidos após Israel ter decidido colocar seis ONG palestinianas, apoiadas pela ONU e pela EU, na lista negra das organizações “terroristas”.

A colonização israelita da Cisjordânia e da região de Jerusalém oriental, que foi anexada ilegalmente segundo o direito internacional, tem sido uma medida adotada por todos os governos israelitas desde 1967
.

A estratégia foi acelerada nos últimos anos, sob a liderança do então primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

O novo primeiro-ministro, Naftali Bennett, está, desde meados de junho, à frente de uma coligação heterogénea que inclui partidos da direita radical e partidos de esquerda.
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