Duterte incita filipinos a matar bispos católicos porque "são inúteis"

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O presidente das Filipinas, um país onde 85 por cento da população é católica, declarou que alguns bispos “são inúteis” e encorajou os cidadãos a matá-los. O confronto de Rodrigo Duterte com a Igreja católica começou em 2017, quando os padres criticaram a sangrenta guerra do Governo contra as drogas.

“Esses bastardos são inúteis. A única coisa que sabem fazer é criticar”, afirmou Duterte na quarta-feira em Manila.

Esta não é a primeira vez que o presidente das Filipinas critica a Igreja católica. Duterte já tinha afirmado que se trata da “instituição mais hipócrita do mundo” e “que 90 por cento dos padres são homossexuais”. A Conferência Episcopal das Filipinas recusa-se a responder a Duterte e afirma que: “Não vamos colocar mais lenha na fogueira. Qualquer comentário só vai exagerar o assunto”.

Em junho, o chefe de Estado filipino já tinha enfurecido os fiéis quando chamou Deus de “estúpido”. De seguida, iniciou um diálogo com a Igreja católica o que levou a uma trégua na troca de acusações.

Há duas semanas, Duterte declarou que “os filipinos não devem ir à igreja para fazer papel de idiotas”.

“Construam uma capela nas vossas casas e rezem lá, assim não há necessidade de ir à igreja pagar a esses idiotas”, afirmou.

O porta-voz da presidência, Salvador Penelo, frisou que as palavras de Duterte não devem ser interpretadas como “algo literal”, e que o presidente usou a “hipérbole para conseguir mais efeito dramático nos seus comentários”.

Duterte lidera as Filipinas, com mão de ferro, desde 2016. E nesse Verão lançou a “Operação Tokhang”, que alegadamente se destinava reintegrar os toxicodependentes no país mas na realidade levou a uma estratégia de execuções extrajudiciais consumidores e traficantes. As execuções semearam o pânico entre a população mais pobre e que está viciada em shabú, a metanfetamina local e a droga mais popular.

Em julho de 2017, o número de mortes ultrapassou os 9.400, o que levou a igreja católica a classificar a situação do país como “um reino de terror”. Duterte, de 71 anos, não aceitou as críticas dos bispos, que classificou como “filhos da mãe”.

Vários grupos de Direitos Humanos afirmam que mais de 12 mil pessoas acusadas de traficar ou consumir droga foram mortas pela polícia, ou por milícias não oficiais, desde junho de 2016.

O Tribunal Criminal Internacional abriu um inquérito para investigar as execuções.

Segundo dados oficiais, dos cerca de 100 milhões de habitantes das Filipinas, cerca de 1,8 consome drogas.

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