Economia mundial arrisca 600 mil milhões na guerra de Trump com Pequim

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A escalada na guerra comercial dos Estados Unidos com a China, as duas maiores economias do planeta, está a abrir a porta a perdas gigantescas para a economia mundial nos próximos anos. O apertar das taxas alfandegárias dos dois lados poderá levar a perdas na ordem dos 0,7% do PIB global até 2022, cerca de 600 mil milhões de dólares, nas contas da OCDE.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) deixou esta terça-feira um aviso a Donald Trump: alimentar esta guerra comercial coma China, nomeadamente ao nível das taxas alfandegárias, poderá trazer consequências negativas não apenas para a economia norte-americana, mas também para o resto do mundo.


A organização aponta para perdas de 0,7% no Produto Interno Bruto mundial em 2021-2022. Um cheque de 600 mil milhões de dólares, 538 mil milhões de euros. Na opinião do grupo sedeado em Paris, estamos perante um cenário em que a resposta ao aumento de taxas alfandegárias de um lado com o aumento de taxas alfandegárias do outro não beneficia nem Washington nem Pequim.

No relatório com as previsões económicas mundiais divulgado esta terça-feira, a OCDE desceu a previsão para a economia global para 3,2% e, apesar de manter a estimativa de 3,4% em 2020, deixou o alerta para os muitos riscos negativos que “ensombram” a economia mundial e o bem-estar das pessoas.

“As perspectivas permanecem fracas e há muitos riscos negativos que ensombram a economia global e o bem-estar das pessoas”, indica Laurence Boone, economista-chefe da OCDE no editorial do relatório.
O relatório de hoje antecipa um crescimento do PIB mundial de 3,2% este ano, menos uma décima face ao que antecipava em março, depois da expansão de 3,5% em 2018.

“Esta desaceleração é generalizada, prevendo-se a moderação do crescimento este ano em quase todas as economias”, aponta a OCDE, acrescentando que o crescimento do comércio mundial deverá enfraquecer ainda mais este ano, para cerca de 2%.

Trata-se, sublinha a organização, da “taxa mais fraca desde a crise financeira global”. É neste sentido que deixa um apelo aos governos (apelo que parece especialmente dirigido aos dois gigantes mundiais) no sentido de um entendimento: “Pedimos veementemente aos governos que usem todas as ferramentas políticas à sua disposição (…) É imperativo reactivar discussões comerciais multilaterais”, sublinha Laurence Boone.

A organização aponta aqui que os principais riscos para a economia global incluem um período prolongado de tarifas mais elevadas no comércio entre os Estados Unidos e a China, medidas que visem criar novas barreiras comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia e um falhanço dos estímulos políticos para evitar uma desaceleração mais acentuada na China, este ano a crescer 6,2%, números modestos face ao que já conseguiu apresentar.

Foi neste cenário que o presidente norte-americano anunciou no início de Maio o aumento de 10% para 25% nas taxas alfandegárias sobre produtos chineses na ordem dos 200 mil milhões de dólares (180 MM euros). Pequim respondeu com o agravamento de taxas em importações americanas no valor de 60 mil milhões de dólares (54 MM euros).

Boone lembrou que o crescimento nas trocas comerciais a nível mundial, que estava em 2017 nos 5,5%, desacelerou nos primeiros meses deste ano practicamente até ao nível zero. “As tensões comerciais fizeram descarrilar um crescimento global que estava em marcha desde 2017. O que está a acontecer é muito preocupante”.

A OCDE não esquece o Brexit como um risco acrescido para o andamento da economia mundial, em particular para os britânicos e os parceiros da União Europeia.

Tópicos:

China, Guerra comercial, OCDE, Taxas alfandegárias, Estados Unidos,

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