Economista angolano questiona "pertinência" de anunciado novo centro ministerial

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O economista angolano Carlos Rosado de Carvalho questionou hoje "os custos, a pertinência e prioridade" da construção do Centro Político Administrativo (CPA) de Luanda diante de "imensos problemas que Angola enfrenta", com a crise económica e financeira.

"Estamos conversados sobre os méritos do projeto, mas gostava incidir a minha intervenção sobre os riscos que este projeto tem. Um dos riscos é reputacional: como é que um país com imensos problemas se abalança em construir um projeto como este", questionou hoje, em Luanda.

"Temos um país relativamente pobre que se predispõe a fazer um projeto como esse", em que não se conhece o preço, adiantou.

Carlos Rosado de Carvalho falava hoje durante a cerimónia de apresentação do projeto do CPA, a ser erguido em três anos numa parceria público-privada, onde as autoridades não avançaram os custos, limitando-se a informar que o investimento será amortizado em sete anos.

O Centro Político Administrativo de Luanda será erigido na orla marítima de Luanda, zona da Chicala, numa área total de 1.193.947 metros quadrados, compreendendo 28 edifícios ministeriais, secretariado do conselho de ministros, 37 casas protocolares, centro de convenções, um hotel protocolar, um campus judicial e outros serviços.

O também denominado Bairro dos Ministérios, compreende igualmente "áreas inteiramente dedicadas à iniciativa privada", como centro de negócios, prédios de apartamentos, hotéis, restaurantes e zonas de lazer.

O economista referiu que o projeto será implementado numa zona muito nobre da cidade, "receando" que o mesmo venha a ser "uma espécie de condomínio público fechado".

"Gostaria de alertar as autoridades que possa a ser um projeto que possa ser desfrutado por todos os cidadãos da sociedade e não apenas para servidores públicos", reiterando a necessidade de serem publicados detalhes de natureza financeira.

Segundo o também jornalista, a modalidade de financiamento das parcerias público-privadas, eleitas pelo Governo angolano, "são fantásticas no papel, mas depois há um problema de implementação".

"No caso das parcerias público-privadas onde é que fica o risco?" - questionou.

A escolha da parceria público privada foi justificada no encontro pelo ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico angolano, Manuel Nunes Júnior, argumentando ser a "mais viável em situações de restrições orçamentais" que o país vive.

"Numa altura em que o nosso executivo envida esforços no sentido da consolidação fiscal, precisamos de encontrar soluções que não contribuam para o aumento do endividamento do Estado", apontou.

O governante alertou que os resultados das parcerias público-privadas apenas serão positivos, "caso sejam assegurados" um conjunto de mecanismos essências à sua implementação, sobretudo no que respeita a "remoção dos riscos inerentes" a este tipo de financiamento.

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