Eleições EUA. Boletins postais de apoiantes de Biden com maior risco de serem rejeitados

por Joana Raposo Santos - RTP
Os apoiantes do Partido Democrático são os que mais estão a aderir à votação por correspondência. Mike Blake - Reuters

Os eleitores norte-americanos já começaram a votar por correspondência para decidirem o próximo líder da Casa Branca. Muitos estão, porém, a ver os seus boletins postais serem rejeitados - especialmente jovens e eleitores negros ou latino-americanos, aqueles que mais apoiam o candidato democrata Joe Biden.

Segundo dados preliminares, os apoiantes do Partido Democrático são os que mais estão a aderir à votação por correspondência, numa altura em que a pandemia de Covid-19 assola o mundo e em que são desaconselhadas saídas desnecessárias.

No entanto, são já muitos os votos considerados inválidos, especialmente entre os grupos de eleitores que mais apoiam Joe Biden: os jovens, os eleitores negros e latino-americanos e os que estão a aderir pela primeira vez à votação por correspondência.

Na Flórida, um dos Estados decisivos destas eleições, mais de metade de todos os votos por correspondência até agora rejeitados pertencem a eleitores na faixa etária dos 18 aos 25 anos (1,5 por cento). Todos os restantes votos considerados inválidos (1,1 por cento) correspondem a eleitores com 26 anos ou mais, segundo dados da Divisão de Eleições da Flórida.

Uma vez que Joe Biden lidera por uma margem de 30 por cento a preferência de voto entre eleitores dos 18 aos 29 anos (e por 17 por cento a preferência daqueles entre os 30 e os 49 anos), de acordo com o Pew Research Center, estatisticamente a maior parte dos boletins de voto rejeitados escolhia Biden para a presidência dos EUA.
Mais votos rejeitados entre eleitores negros e latino-americanos
O candidato democrata está também em vantagem entre os eleitores negros, por uma margem de 81 por cento, e latino-americanos, com mais 34 por cento em relação a Donald Trump. O atual presidente apenas lidera a intenção de voto dos eleitores brancos, por mais sete por cento do que Biden.

E são precisamente esses primeiros eleitores que mais têm visto os seus boletins enviados para trás, a par dos eleitores jovens. Dos boletins rejeitados, 0,97 por cento correspondiam a negros e 1,01 por cento a latino-americanos, enquanto 0,92 por cento eram de eleitores brancos.

Só no Estado da Carolina do Norte, os boletins de eleitores negros foram três vezes mais rejeitados (3,1 por cento) do que os de votantes brancos (0,8 por cento).

Também eleitores que estão neste ano pela primeira vez a aderir ao sistema de voto por correspondência – mais de 70 por cento dos quais se identificam como democratas, segundo uma sondagem do Democracy Fund – estão a ver os seus boletins anulados.

Na Flórida, 2,2 por cento dos votos vindos de estreantes foram rejeitados, em contraste com 0,8 por cento dos votos de pessoas que já tinham votado anteriormente por correio.
Assinaturas são maior justificação para rejeição dos boletins
Em eleições anteriores, milhares de boletins postais foram também rejeitados por diversas razões. Segundo a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA, nas eleições de 2018 – durante as quais se disputaram os assentos no Senado e na Câmara dos Representantes – 27 por cento dos votos por correspondência foram recebidos depois do prazo, sendo, por isso, descartados.

Mas o principal motivo de rejeição tinha que ver com as assinaturas dos eleitores. Dezasseis por cento dessas assinaturas não correspondiam à do bilhete de identidade, 13 por cento dos boletins não estavam assinados e três por cento não possuíam a assinatura de uma testemunha.

Segundo o New York Times, as mais pequenas diferenças entre a assinatura no boletim de voto e aquela que consta no documento de identidade são o suficiente para que esse boletim seja considerado inválido: ausência de espaço entre o primeiro e último nome, quando no B.I. esse espaço existe, ou ligeiras alterações no tipo de letra são alguns exemplos.

Apenas um por cento dos votos por correspondência rejeitados em 2018 pertencia a eleitores que já tinham votado.

O derradeiro dia de votações nos Estados Unidos acontece a 3 de novembro, altura em que será dicidido se é Trump quem continua a liderar os norte-americanos ou se Joe Biden lhe conseguirá tirar o lugar na Sala Oval.
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