Equador opta nas urnas entre continuidade socialista e oposição dividida

Equador opta nas urnas entre continuidade socialista e oposição dividida

Quito, 17 fev (Lusa) -- O Equador realiza no domingo eleições presidenciais e legislativas, optando entre o modelo de Socialismo do século XXI há dez anos no poder e uma oposição dividida mas convencida da possibilidade de governar caso haja uma segunda volta.

Lusa /

Em simultâneo, decorrerá também um referendo promovido pelo Governo, que quer proibir que pessoas em cargos públicos tenham contas ou bens em paraísos fiscais.

As propostas do partido no poder são agora defendidas pelo ex-vice-presidente Lenin Moreno, que pretende suceder na Presidência ao companheiro de fileiras Rafael Correa, já que o chefe de Estado cessante tenciona afastar-se da política equatoriana e ir viver para a Bélgica, o país de origem da mulher, Anne Malherbe.

O atual modelo governamental, ao qual Moreno afiança querer imprimir um estilo próprio, é conhecido como a Revolução Cidadã e é um projeto de esquerda que busca a igualdade, a erradicação da pobreza e um bem-estar social em que as pessoas estejam "acima do capital" e se acabe com os privilégios só para as elites.

O Governo quer, dessa forma, alcançar o que aponta como seus principais objetivos, como a construção de escolas, hospitais públicos e grandes infraestruturas rodoviárias e energéticas, juntamente com a produção, no plano económico, de bens com valor acrescentado e o fomento do conhecimento e do talento humanos, além de reduzir a dependência do petróleo.

Nestas eleições, Moreno enfrenta uma oposição que, apesar de fragmentada há anos, está unida no desejo de ver fora do poder o "Correismo" e confiante em que as sondagens estejam certas ao vaticinar que será necessária uma segunda volta para eleger o próximo Presidente.

No amplo leque de tendências que os sete candidatos da oposição representam, figuram social-democratas, conservadores, social-cristãos, independentes e populistas.

Medidas sobre a criação de emprego, combate à corrupção, erradicação da pobreza, luta contra a droga e pela liberdade de expressão foram apresentadas por todos os candidatos em liça.

O candidato do movimento oficialista Aliança País (AP) fala de uma "grande cirurgia" contra a corrupção e propõe-se criar 250.000 postos de trabalho por ano, prometendo igualmente ações para erradicar a subnutrição infantil e a construção de 40 universidades técnicas.

A maioria das sondagens posiciona em segundo lugar nas intenções de voto o ex-banqueiro Guillermo Lasso, líder do movimento conservador CREO, que declarou há uma semana, em entrevista ao diário britânico The Guardian, que, caso seja eleito Presidente, dará ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, um prazo de 30 dias para abandonar a embaixada do Equador em Londres, onde se encontra refugiado desde 2012, por considerar ser altura disso, após um asilo político de quatro anos e meio dispendioso para o povo equatoriano e que já não se justifica.

O antigo banqueiro propõe igualmente a eliminação de 14 impostos, a criação de um milhão de empregos e a revogação da lei de imprensa.

Nessa medida, está em consonância com Cynthia Viteri, do Partido Social-Cristão (PSC), que segue atrás de Lasso na maioria das sondagens e defende também a construção de habitação para pobres, o perdão das dívidas a agricultores e a captação de investimento privado.

Depois deles, está o ex-presidente da câmara de Quito e general na reserva Paco Moncayo, da social-democrata Esquerda Democrática, defensor do incentivo das obras públicas para criar até 285.000 empregos e de proceder a uma reforma do sistema que permita a independência das instituições.

A seguir a estes candidatos, encontram-se o populista Abdalá "Dalo" Bucaram, filho do ex-presidente Abdalá Bucaram e candidato pela Força Equador, que propõe vantagens fiscais para as empresas que gerem emprego em setores vulneráveis e uma Comissão da Verdade para investigar a corrupção.

Também numa linha populista, o candidato do Partido Sociedade Patriótica (PSP), Patricio Zuquilanda, que defende medidas como eliminar a compra de armas, criar a figura dos "juízes sem rosto" contra a corrupção e impulsionar o investimento na energia solar, entre outras.

O mais jovem dos candidatos, o independente Iván Espinel, de 33 anos, líder da formação Compromisso Social, quer criar uma "lei bisturi" contra a corrupção e fazer um referendo sobre a pena de morte para casos de violação de menores e assassínio.

O independente Washington Pesántez, ex-procurador do ministério público e candidato da União Equatoriana, propõe-se convocar uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Carta Magna e instaurar um sistema de trabalho por horas, além de adotar políticas para fortalecer o setor agrícola e melhorar a economia.

No escrutínio de domingo, serão eleitos o Presidente e o vice-presidente da República, os 137 deputados da Assembleia Nacional e cinco delegados ao Parlamento Andino (composto por Bolívia, Colômbia, Peru e Equador).

No país, o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para os menores com idade entre 16 e 18 anos, os adultos com mais de 65 anos, os equatorianos que residem no estrangeiro, os estrangeiros que residam em território equatoriano mais de cinco anos, os militares, polícias e pessoas com deficiência.

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