Escalada das tensões políticas no centro do debate da Assembleia Geral da ONU

por Lusa

As ameaças no Golfo Pérsico e na Faixa de Gaza e as crises na Síria, Iémen e Venezuela são os maiores desafios que a Organização das Nações Unidas terá de discutir com os 193 Estados-membros esta semana.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na semana passada que se está a assistir a uma escalada de tensões muito perigosa no Golfo Pérsico, tendo o Irão e Arábia Saudita como principais potências da região.

Os ataques a refinarias de petróleo da Arábia Saudita, a 14 de setembro, foram um dos eventos mais recentes que sobressaltaram o mundo e deverão ser abordados por vários Estados-membros da ONU, principalmente os que têm interesses económicos naquele país ou que são também países produtores de petróleo.

A 18 de setembro, a ONU anunciou a viagem de uma equipa de peritos à Arábia Saudita para conduzir um inquérito internacional sobre os ataques contra instalações petrolíferas sauditas.

O Irão está no foco dos debates sobre a paz e segurança no mundo devido à política das armas nucleares e por ter sido acusado pelos Estados Unidos da América como os responsáveis pelos ataques na Arábia Saudita.

O Presidente norte-americano, Donald Trump anunciou na sexta-feira novas sanções contra o sistema bancário iraniano, assegurando tratar-se das "mais severas jamais impostas a um país".

EUA e Irão estão num momento de maior pressão e trocas de ameaças de retaliação, que levam vários países do mundo, como a França, a tentarem intermediar conversações pacíficas entre os presidentes Donald Trump e Hasan Rohani.

Conflitos regionais

O conflito israelo-palestiniano pelo domínio territorial da Cisjordânia e Faixa de Gaza também continua complicado, com promessas do primeiro-ministro israelita de anexar partes da Cisjordânia. Israel encontra-se em impasse político devido aos resultados das eleições gerais de 17 de setembro.

Os conflitos regionais no Iémen, Síria e Afeganistão, que se prolongam há vários anos, deverão ser entre os mais abordados, depois de a ONU ter dito, com vários relatórios, que a crise humanitária no Iémen, país que vive em guerra desde 20014, é a pior da atualidade e poderá ser a pior do século.

Os rebeldes iemenitas anunciaram na sexta-feira uma trégua nos ataques à Arábia Saudita, exigindo em contrapartida que cessem os ataques sauditas no Iémen.

O regime sírio, a oposição e as Nações Unidas chegaram a um acordo sobre a composição de um comité constitucional encarregado de estabelecer uma nova Constituição para a Síria, foi anunciado na quinta-feira.

A crise política na Venezuela continua, alastrada a uma crise económica e social e prevê-se que a comunidade internacional veja a Assembleia Geral como uma oportunidade para colocar ainda mais pressão sobre o regime de Nicolás Maduro, que já anunciou que não vai estar presente em Nova Iorque.

Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e Presidente auto-proclamado do país, anunciou que vai entregar à ONU provas de violações dos Direitos Humanos na Venezuela. Na quinta-feira, Guaidó anunciou a criação de um Conselho de Estado Plural, para convocar eleições presidenciais no país.

Na Assembleia-geral da ONU, é esperado que a Colômbia apresente um ato de condenação contra Nicolás Maduro, como chefe de Estado "responsável por uma catástrofe humanitária" na Venezuela e uma ameaça para a estabilidade na região, uma vez que alegadamente acolheu rebeldes colombianos, escreveu a agência de notícias Associated Press.

Com o mundo de olhos postos no combate às alterações climáticas e, nomeadamente, sobre a região da Amazónia e a luta pelos direitos humanos dos povos indígenas, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, prometeu levar a Amazónia na agenda, sendo o primeiro a abrir o debate geral na terça-feira, como tradição, antes do Presidente dos Estados Unidos da América.

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