"Espanha precisa de instituições robustas". Sánchez sai em defesa da monarquia

por Joana Raposo Santos - RTP
Em defesa da monarquia, Pedro Sánchez argumentou que não há motivos para que esta seja controlada. Foto: Chema Moya - EPA

O primeiro-ministro espanhol assegurou que irá opor-se a quem proponha a abertura de um debate sobre a monarquia, numa altura em que o Rei emérito Juan Carlos I se encontra envolvido numa polémica sobre alegadas irregularidades financeiras e decidiu sair de Espanha. Para o líder do Executivo, o país precisa de "instituições robustas" como a coroa, especialmente na atual fase de crise económica causada pela Covid-19.

Pedro Sánchez apelou na terça-feira a que se mantenha a força das instituições, em particular a coroa, numa altura em que Espanha se encontra abalada pela pandemia de Covid-19. Num discurso diante do partido Podemos, parceiro do Governo, o primeiro-ministro afirmou que “o pacto constitucional [de 1978] está em total vigor” e que nele se inclui “a monarquia constitucional”.

A saída do Rei emérito Juan Carlos de Espanha, depois de se ver envolvido em acusações de corrupção, situação que está a ser investigada pelas autoridades espanholas e suíças, está a criar divisão entre as forças políticas do país, com o Podemos e os partidos independentistas a aproveitarem para reabrir o debate sobre república e monarquia.

Os partidos nacionalistas e independentistas consideraram “indigna” a “fuga” do antigo monarca. Pablo Iglesias, líder do Podemos, disse mesmo acreditar que, “mais cedo ou mais tarde, os mais jovens irão impulsionar a implantação de uma república em Espanha” que substitua a monarquia constitucional.

Em defesa da monarquia, o líder do Executivo espanhol argumentou na terça-feira que não há motivos para que esta seja controlada, até porque tal iria gerar uma instabilidade indesejável numa altura em que o país tem já de lidar com uma crise sanitária e económica gerada pelo novo coronavírus.

“Espanha precisa de estabilidade e de instituições robustas”, declarou Pedro Sánchez, citado por El Pais.
“Quem vai a julgamento são as pessoas, não as instituições”
Na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, Pedro Sánchez aproveitou ainda para elogiar a decisão do rei Filipe VI de se “distanciar” da “suposta conduta questionável e reprovável” do seu pai. “Filipe VI está a tomar medidas de transparência exemplares que todos os espanhóis devem valorizar”, considerou.

“Sempre defendi que, para que haja uma democracia forte, as suas instituições têm de ser robustas, e as decisões do rei vão nessa direção”.

Para o chefe do Governo, caso se comprove a existência de atos criminosos ou irregulares, esses afetarão Juan Carlos e não a coroa enquanto instituição. “Quem vai a julgamento são as pessoas, não as instituições”, defendeu o primeiro-ministro espanhol.

Questionado pelos jornalistas sobre pormenores da saída do rei emérito de Espanha, Pedro Sánchez remeteu para a confidencialidade das reuniões entre primeiro-ministro e chefe de Estado, não respondendo a perguntas como para que país se irá deslocar Juan Carlos I ou quem irá pagar pela sua segurança e outras despesas.

Prevê-se que os próximos dias sejam marcados por iniciativas parlamentares sobre Juan Carlos e Filipe VI, nomeadamente para que se mantenham as investigações à coroa, sendo esperado que o PSOE de Pedro Sánchez vote contra as propostas dos seus aliados.

O primeiro-ministro espanhol vê com naturalidade esta colisão de ideias. “Somos duas forças diferentes, com posições díspares em muitos temas”, declarou, frisando, porém, que “o Governo de coligação tem muitos anos pela frente”.

O debate sobre a monarquia em Espanha tinha já sido iniciado em 2012, quando se soube que Juan Carlos I participou numa caça a elefantes no Botswana enquanto o país atravessava uma crise económica. Com a reputação abalada, renunciou em 2014, passando o seu filho Filipe VI a tomar posse. Na altura, o conservador Partido Popular esteve na linha da frente da defesa da monarquia.
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