Eurofestival da Canção. Banda islandesa acredita ter sido castigada por Tel Aviv

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Os Hatari, representantes da Islândia no Festival Eurovisão da Canção em Israel, estão a considerar um processo judicial contra a companhia aérea israelita El Al. Os representantes islandeses acreditam ter sido alvo de retaliação pela transportadora, depois de terem mostrado a bandeira da Palestina quando eram filmados em directo durante um dos momentos da votação final.

A presença dos islandeses em Tel Aviv esteve envolvida em controvérsia desde o apuramento para a fase final do Eurofestival da Canção.


Uma posição contraditória, que gerou reacções negativas, tanto do lado dos responsáveis da Eurovisão, quando avisaram que usariam a plataforma do Eurofestival para apoiar a causa pró-palestiniana, como do lado dos movimentos de boicote a Israel, que apelaram à banda de tecno-metal para não comparecer ao espectáculo em Tel Aviv.

Mas os Hatari acabariam por não ser os únicos a lembrar a fragilidade da situação dos palestinianos na região. Também Madonna acabou a intervenção no Festival, onde encerrou com uma canção, com dois dos seus bailarinos de mãos dadas, cada um com uma bandeira nas costas – da Palestina e de Israel.


Reuters

Mas, se Madonna mereceu reparos ligeiros à mensagem política que levou aos israelitas, já os Hatari consideram ter sido alvo de uma retaliação por parte de Tel Aviv, face ao comportamento da companhia aérea em que realizaram o voo da capital israelita para Londres no regresso a casa.

Para os membros da banda, não terá sido inocente a escolha dos lugares que lhes foram destinados no avião: a fila do meio – quando havia outras duas filas à janela – na parte de trás da aeronave. O baterista aproveitou para brincar com a alegada retaliação israelita, postando uma mensagem nas redes sociais em que “agradece” à El Al pelo “tratamento especial” com a hashtag #coolkidssitintheback (#osmiúdosfixessentamseláatrás).

Os músicos islandeses acreditam que houve uma premeditação da El Al nessa escolha, que seria, já dentro do avião, confirmado pelo comportamento de pelo menos um membro da equipa de bordo.
Um israelita que viajava no mesmo voo foi citado pelos media islandeses como tendo ouvido um dos funcionários da El Al a dizer, quanto aos lugares destinados aos músicos, que “é isto que vão levar”.



A participação da banda islandesa estaria já a ser alvo de monitorização, quer por parte dos israelitas, quer dos membros da Eurovisão. Em Março passado, a cerca de dois meses do evento em Tel Aviv, os Hatari, se por um lado furavam o boicote dos activistas pró-palestinianos, prometiam por outro usar a presença na região para chamar a atenção para a ocupação israelita dos territórios palestinianos.

A Eurovisão entrou imediatamente em campo, com as suas exigências de um espectáculo asséptico no que tocava a mensagens políticas, apesar de ter atribuído ela própria a sede do festival a Israel, um país que há décadas leva a cabo uma política de ocupação dos territórios palestinianos, razão pela qual Tel Aviv é há muitos anos alvo de crítica de organizações internacionais como a União Europeia e as Nações Unidas, que consideram a ocupação um processo ilegítimo.

Durante as suas actuações no festival, os Hatari mantiveram a performance apenas ao nível da música e do espectáculo. Só durante o período das votações levantariam uma bandeira palestiniana, mostrada em directo para todos os milhões de telespectadores do Festival Eurovisão da Canção.



Um dos membros da banda colocou online um vídeo em que se vê a segurança israelita a tentar confiscar a bandeira palestiniana. No dia a seguir à final, no domingo, a banda acrescentou a bandeira palestiniana na sua página do Instagram.

A UER – União Europeia de Radiodifusão, organização que congrega a grande parte dos serviços públicos de rádio e televisão, já fez saber que o desfraldar da bandeira não deverá passar sem consequências.

À chegada ao aeroporto Keflavik, na Islândia, os Hatari tinham à espera um grupo de activistas pró-palestinianos.

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