Extrema-direita espanhola acusa ex-PM socialista de ter colaborado com a ETA

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O líder do partido de extrema-direita espanhola Vox revelou hoje, em Madrid, que a sua formação apresentou uma queixa contra o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero por alegado delito de "colaboração com organização terrorista" e "revelação de segredos".

Santiago Abascal explicou, em conferência de imprensa, que a queixa é "sustentada" no facto de o ex-chefe de Governo socialista ter "alertado" a organização terrorista ETA sobre "intervenções da polícia", segundo a forma como interpreta documentos sobre as negociações levadas a cabo durante o executivo Zapatero.

O líder do partido de extrema-direita acrescentou que a sua formação não irá assistir à homenagem institucional às vítimas do terrorismo que hoje tem lugar nas Cortes espanholas, que considera significarem um "branqueamento da ETA" que está a ser estimulado pelo PSOE (Partido Socialista Espanhol).

"O nosso único ato de homenagem às vítimas do terrorismo será o de contribuir para que se faça justiça", disse Abascal, questionando em seguida se os partidos nacionalistas e independentistas bascos e catalães iriam participar no minuto de silêncio às vítimas previsto na cerimónia.

As Cortes espanholas (Congresso dos Deputados e Senado) fazem anualmente desde 2010 uma homenagem às vítimas do terrorismo que este ano está a ser marcada pela recusa em assistir por várias associações de vítimas, que protestam contra uma entrevista feita na quarta-feira pela televisão pública espanhola (RTVE) ao líder do partido independentista basco Bildu, antigo braço político da ETA.

Arnaldo Otegi é uma das figuras mais controversas da política espanhola, com os partidos nacionais de esquerda a considerar que foi um elemento essencial para que em 2011 a ETA abandonasse a luta armada e os de direita a condenar essa posição, recordando as suas numerosas condenações por ter defendido e colaborado com aquela organização.

José Luis Rodríguez foi primeiro-ministro de Espanha entre 2004 e 2011 e responsável pelas negociações finais que levaram ao fim dos atos de violência da ETA.

A ETA foi fundada em 1959, durante a ditadura de Francisco Franco, e fez uma série de atentados, com mais de 850 mortos, em Espanha e em França, em nome da independência do País Basco espanhol e francês assim como da região espanhola de Navarra.

A ETA renunciou à violência em 2011 e entregou em 2017 aquilo que assegurou serem as suas últimas armas.

A dissolução da ETA significou o fim do último dos grandes grupos terroristas europeus que, muito antes do `jihadismo` islâmico, lançaram ataques em todo o continente, principalmente nos anos setenta e oitenta do século passado.

O Vox teve nas últimas eleições legislativas em Espanha mais de 10% dos votos, depois de ter sido fundado em 2013 por um setor crítico do Partido Popular (PP, direita) às políticas de luta contra a crise económica, que o país atravessava em 2011, pelo primeiro-ministro da altura, Mariano Rajoy.

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