Filipinas. Surto de dengue faz mais de 1000 vítimas mortais

por RTP

O sudoeste asiático enfrenta atualmente um surto de dengue, e as Filipinas contam com o maior número de casos e mortes confirmadas. Este é o pior surto de dengue do país desde 2012, fazendo mais de 1000 vítimas mortais e levando à declaração de epidemia nacional.

Segundo o Departamento de Saúde, desde o início do ano até ao dia 31 de agosto foram assinalados 271 480 casos de dengue. Em comparação, durante o surto que se abateu no país em 2012, foram registados 187 031 casos.

Esta epidemia é responsável pela morte de 1107 pessoas, sendo as principais vítimas crianças entre os cinco e nove anos de idade. "As crianças são particularmente suscetíveis à dengue porque têm um sistema imunitário mais fraco do que os adultos", disse Amado Parawan, funcionário de saúde e nutrição da Save the Children Philippines.

A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, comum em todas as partes das Filipinas, e atinge o seu pico durante a estação chuvosa, que se estende geralmente de junho a fevereiro. Neste período, a água acumula-se nas calhas das ruas, transformando-as num viveiro de mosquitos.

Face a esta epidemia, o departamento de saúde intensificou a campanha de prevenção da dengue, destruindo locais de reprodução de mosquitos e garantindo mais fornecimento de sangue nos hospitais.

Os sintomas da doença incluem algumas semelhanças com os da gripe, como febre durante vários dias. Esta pode diminuir temporariamente após três dias, fazendo com que muitos pacientes pensem que acabou.

No entanto, esta é uma fase crítica que deve ser controlada, pois pode progredir para dengue grave, como explicou a médica Leila Jane Narag, responsável pela secção de pediatria da unidade médica de Tondo.

Foi precisamente o que aconteceu a Katelyn, uma criança de dois anos infetada pela dengue. Após sofrer de 39 graus de febre durante vários dias, os pais levaram-na ao Centro Médico de Tondo, em Manila.

As análises deram positivo: Katelyn estava infetada com a dengue. Dois dias depois, a criança já não tinha febre, e a preocupação dos pais desapareceu. Contudo, a febre voltou, e Katelyn morreu no dia 8 de setembro.
Uma vacina controversa
Em 2016, foram relatados grandes surtos de dengue em todo o mundo e em particular nas Filipinas. Foi então adotado por todo o país um programa de vacinação, usando Dengvaxia, apresentada na época como a primeira vacina contra a dengue no mundo.

No entanto, o programa foi suspenso abruptamente quando a eficácia e a segurança da vacina foram questionadas pelo próprio fabricante.
Sanofi Pasteur, responsável pela vacina, começou a divulgar novas descobertas clínicas, declarando que Dengvaxia podia não ser eficaz em alguns casos, podendo mesmo levar a sintomas mais graves de dengue nas pessoas que não tinham sido infetadas anteriormente.

Por consequência, a Administração de Alimentos e Medicamentos das Filipinas revogou permanentemente o uso de Dengvaxia, embora várias investigações tivessem concluído que nenhuma morte estivesse diretamente ligada à vacina.

Este ano, à medida que os casos de dengue aumentavam, o presidente Rodrigo Duterte declarou reconsiderar o uso da vacina mediante a recomendação do departamento de saúde. Mas o secretário da Saúde, Francisco Duque, afirmou que Dengvaxia não seria apropriada como resposta a um surto.

Em oposição, os Médicos pela Verdade e Bem-Estar Público, um grupo de médicos e cientistas liderados pelo ex-secretário da Saúde, Esperanza Cabral, pedem ao Governo para repor Dengvaxia no mercado.

"Não é uma vacina perfeita, mas achamos que deve ser disponibilizada para quem precisa e pode tirar benefícios dela", disse Cabral. "Isto [o surto] não é normal. Não podemos aceitar as mil mortes relacionadas com a dengue. Com o tratamento adequado, não se morre de dengue".

Atualmente, a vacina é autorizada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa e da América Latina.