Forças de defesa timorense "sem dinheiro" e a começar a acumular dívidas

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As forças de defesa timorense estão sem dinheiro para rações de combate, manutenção de viaturas e outros gastos operacionais e vão acumular dívidas a fornecedores até que a situação do Governo esteja regularizada, disse hoje o comandante nacional.

"Quando não há [orçamento] retificativo, não há dinheiro, temos problemas. Já disse aos oficiais e sargentos para se desenrascarem, como nos desenrascámos há 24 anos", disse hoje o comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), o major general Lere Anan Timur.

"São precisos fundos para rações de combate, manutenção de carros, outros aspetos do trabalho e operação. Contactámos com duas empresas para saber se estavam disponíveis para trabalhar a crédito connosco e uma disse que sim. Esperemos que a situação do Governo se estabilize e depois possamos pagar tudo", afirmou.

Lere Anan Timur falava aos jornalistas depois da reunião semanal que manteve hoje com o chefe de Estado, Francisco Guterres Lu-Olo, durante a qual o informou da situação das forças armadas, incluindo a situação financeira.

"Estamos agora a começar a fazer dívidas. Ainda não temos, mas estamos a começar", afirmou.

No diálogo com Lu-Olo, o comandante das F-FDTL disse ter dado conta "da situação de segurança no país e a situação das Forças Armadas", especialmente no atual contexto de incerteza política - o programa do Governo foi chumbado pela oposição e um segundo chumbo implica a queda do executivo.

"Visitei os vários componentes, reuni-me com oficiais e sargentos a quem deixei uma mensagem e um apelo de que cumpram o dever militar, especialmente dada a situação sensível do momento político atual", afirmou.

"Sobre a situação política, a nossa ordem aos oficias e sargentos é que a posição das forças armadas é de que a primeira prioridade é proteção dos bens do Estado e bens da população. Essa é a primeira prioridade. Interviremos se for necessário proteger a população indefesa", considerou.

Lere Anan Timur deixou ainda um apelo aos líderes políticos do país para que atuem com bom senso a pensar na melhor solução para o país, afirmando que não espera uma repetição da crise que o país viveu em 2006-2007.

"A crise de 2006 foi uma grande lição para as forças armadas e não vão cometer o mesmo erro. Pode ser outro erro, mas aquele já não. Aquilo foi uma grande lição para nós", disse.

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