Frente económica na guerra de secessão da Catalunha

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O cenário de uma nova base jurídica fora das garantias da União Europeia está a precipitar a mudança da sede social de grandes bancos e empresas que tinham as suas raízes na Catalunha. CaixaBank, Banco Sabadell, Eurona Wireless Telecom, Gas Natural Fenosa, Dogi International Fabrics e Oryzon Genomics já estão de malas feitas rumo a outras regiões espanholas. Decisões que encontram rescaldo na aprovação do Governo de Madrid de um decreto-lei que facilita estas mudanças. Para já, não haverá intenção de deslocalizar as estruturas de trabalho.

Já se sabia, quando em Barcelona começaram a tomar forma as ameaças do processo de independência, que uma separação de Espanha provocaria alterações radicais não apenas nas estruturas económica e política da região, como, necessariamente, no estatuto catalão enquanto região e no seu lugar e implantação na Europa. Mais especificamente, na União Europeia.

De momento, a Catalunha, parte integrante de Espanha, encontra-se ao abrigo da legislação europeia, estando obrigada e protegida pelos seus tratados. Desligar-se de Madrid, coloca uma incógnita nos direitos e obrigações do tecido empresarial da região. Esta tarde, começa a definir-se a lista das grandes empresas que vão mudar a sede social para outras regiões espanholas.

Pelo menos cinco já terão dado início a esse processo: CaixaBank, Banco Sabadell, Gas Natural Fenosa, Eurona Wireless Telecom, Dogi International Fabrics e Oryzon Genomics. A comunicação da decisão surge em simultâneo com a notícia de que o Conselho de Ministros do Governo espanhol acaba de aprovar legislação para facilitar a mudança da sede social de empresas que queiram trocar a Catalunha por outras regiões espanholas.
Madrid facilita saída
De acordo com o ministro da Economia, Luís de Guindos, o decreto-lei permite agora às empresas mudar de sede social apenas com uma decisão aprovada pelo Conselho de Administração – quando anteriormente tinham de ouvir a assembleia-geral de acionistas –, responde aos ensejos de “uma série de instâncias empresariais (…) perante as dificuldades surgidas ao normal desenvolvimento da sua atividade numa parte do território nacional”.


O CaixaBank, terceiro maior banco de Espanha, decidiu esta tarde mudar a sede social de Barcelona para Valência. De acordo com o comunicado da instituição, trata-se de uma decisão provocada pela “atual situação política e social na Catalunha”.

Também ontem o Sabadell, quinto maior banco espanhol e o segundo da Catalunha, perante a possibilidade de uma declaração de independência, havia já tomado semelhante decisão: mudar a sede social para Alicante.

As duas instituições garantem, desta forma, que continuarão a laborar sob as regras de supervisão do Banco Central Europeu, o que garante que continuam a operar com toda a normalidade dentro do sistema bancário europeu.

De referir que a deslocalização para Alicante, na Comunidade Valenciana, traz consigo uma alteração fundamental: o Sabadell passa a pagar os seus impostos em Alicante. Este é um pormenor que afetará todas as deslocalizações e que não é de somenos se pensarmos que o poder da Catalunha tem muito a ver com o seu poder económico: a região representa um quinto do PIB espanhol; em 2016 dali saiu um quatro das exportações espanholas.
Grandes multinacionais na Catalunha
Mas não se trata apenas do local onde são depositados os impostos. Apesar de não haver ainda qualquer declaração das multinacionais no sentido de deslocalizar – além das sedes sociais – as suas estruturas de trabalho e produção, um turbilhão económico paira agora sobre a região, território fortemente industrial e de grandes marcas mundiais.

A unidade espanhola da Volkswagen – Seat SA – emprega 14.000 funcionários em três centros de produção. Só em 2016 foram 450.000 os veículos montados na região.

A Nissan Motor's tem a sede em Barcelona e uma unidade de produção na Zona Franca industrial, onde produz actualmente os modelos Navara, Pulsar e NV200.

A Hewlett Packard tem na Catalunha o quartel-general para o 3D e o negócio de impressão em grande formato. Emprega 1.800 pessoas.

A sede da Nestlé no país também fica situada em Barcelona. A multinacional suíça tem na região quatro fábricas. Só na unidade de Girona, produz anualmente 2,4 biliões de cápsulas de café e 32.000 toneladas de café instantâneo.

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Barcelona, Catalunha, Empresas, Espanha, Independência, Referendo, Bancos,

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