Fukushima. Justiça japonesa absolve ex-responsáveis da Tepco

por RTP
Da esquerda para a direita: Tsunehisa Katsumata, antigo presidente da Tepco, Ichiro Takekuro e Sakae Muto, ex-vice-presidentes da empresa distribuidora de energia Tepco Reuters - Kyodo

Um tribunal japonês absolveu esta quinta-feira três antigos responsáveis da empresa distribuidora de energia Tepco. Os três executivos estavam a ser acusados de negligência por não terem tomado as medidas necessárias para evitar o desastre na central nuclear de Fukushima, em 2011.

O tribunal distrital de Tóquio decidiu que o antigo presidente da Tokyo Electric Power (Tepco), Tsunehisa Katsumata, de 79 anos, e os dois antigos executivos da operadora nipónica, Sakae Muto e Ichiro Takekuro, não podem ser considerados culpados pelas consequências do desastre que ocorreu há oitos anos.

"É difícil lidar com questões que são incertas e obscuras", admitiu Ichiro Takekuro durante o julgamento em Tóquio.

Ainda assim, os promotores responsabilizaram os três funcionários por estes não terem agido com base nas informações que mostravam os potenciais riscos que um tsunami poderia causar.

De acordo com os dados dos especialistas, uma onda com mais de dez metros de altura iria provocar uma perda de energia e um grande desastre na fábrica. 

Para além dessas informações, os antigos funcionários ainda tiveram acesso a um estudo interno da Tepco, baseado num relatório publicado em 2002.

Esse estudo concluiu que um terramoto de magnitude 8,3 conseguia formar uma onda com 15,7 metros de altura.

Os antigos executivos foram acusados de negligência por não terem tomado as medidas de segurança necessárias para evitar a catástrofe.

A acusação exigiu uma pena de prisão de cinco anos para cada um dos funcionários. No entanto, estes foram absolvidos pelo tribunal japonês.

Apesar da derrota, o advogado que representava parte da população atingida pela catástrofe garantiu que este era "apenas o começo de uma grande batalha".

"O nosso objetivo final é erradicar as centrais nucleares perigosas que deixaram muitos moradores em desespero", ressalvou o advogado Hiroyuki Kawai.

A 11 de março de 2011, uma onda gigantesca criada por um violento sismo de magnitude 8,7 na escala de Richter submergiu as instalações japonesas e danificou permanentemente os sistemas de arrefecimento. A onda com quase 14 metros de altura levou à fusão do combustível do núcleo em três dos seis reatores.

As explosões de hidrogénio destruíram parte dos edifícios da central nuclear e forçaram a evacuação de 160 mil pessoas.

Aproximadamente 52 mil pessoas continuam ainda deslocadas devido àquele que foi o segundo pior acidente nuclear civil da História.

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