Grécia atribui vitória a Alexis Tsipras mas longe das euforias de outros tempos

por Christopher Marques - RTP
Alexis Tsipras conseguiu uma larga vitória este domingo nas eleições helénicas. Alkis Konstantinidis - Reuters

A terceira vitória em oito meses. Alexis Tsipras conseguiu a vitória este domingo nas eleições helénicas. Com 80 por cento dos votos apurados, o Syriza está a seis deputados da maioria absoluta e já anunciou que retoma a coligação com os Gregos Independentes. Os conservadores da Nova Democracia ficaram em segundo lugar, à frente dos neonazis da Aurora Dourada que aumentaram a percentagem de votos.

Janeiro, julho e agora setembro. Em três idas às urnas no último ano, o primeiro-ministro helénico soma três vitórias eleitorais. Alexis Tsipras perde quatro deputados face às eleições de janeiro, mas consegue limpar o partido dos dissidentes, que ameaçavam o consenso no Parlamento helénico.

De resto, pouco muda no novo panorama grego. O futuro primeiro-ministro anunciou logo uma coligação com os soberanistas dos Gregos Independentes, partido com o qual já estava coligado desde janeiro.


“Vamos unir as nossas forças, vamos continuar juntos”, anunciou o líder do partido de esquerda.

Em termos de votação e quanto estão 80 por cento dos votos apurados, Alexis Tsipras mantém um resultado próximo do conseguido em janeiro. O Syriza merece o voto de 35 por cento dos votantes, contra os 36,3 por cento que tinha conseguido há oito meses. Em relação ao número de deputados, fica agora com 145, contra os 149 que tinha em janeiro.

Fruto da coligação com os Gregos Independentes, o novo Governo de Tsipras será apoiado por 155 dos 300 deputados do Vouli, o Parlamento grego. No discurso da vitória, Alexis Tsipras defendeu tratar-se de uma vitória do povo grego e admitiu que o país vai enfrentar dificuldades.

"A recuperação não chegará por magia mas chegará através de trabalho árduo", afirmou.

Apesar da vitória e de Alexis Tsipras sair com uma legitimidade reforçada deste ato eleitoral, há sinais claros de desânimo e desalento por parte do povo helénico.

 Nas ruas, ao contrário do que aconteceu em julho e em janeiro, não houve festa, como testemunharam, ao início da noite, os enviados especiais da RTP a Atenas.


Um desalento que já tinha ficado claro quando se avançaram os primeiros números da abstenção: próxima dos 45 por cento. Em janeiro, a taxa de abstenção tinha rondado os 35 por cento.

Nova Democracia em segundo
Os conservadores da Nova Democracia ficaram em segundo lugar nesta ida do povo helénico às urnas. Com 80 por cento dos votos apurados, o partido de Vangelis Meïmarakis, sucessor de Antonis Samaras, obtém 28 por cento dos votos, o equivalente a 75 deputados.

A Nova Democracia cresce face às últimas eleições na percentagem de votos, mas perde um dos 76 deputados que tinha até agora.

Em terceiro lugar surgem, novamente, os neonazis da Aurora Dourada. O partido cresce em percentagem de votos e em número de deputados. Consegue agora sete por cento dos votos e elege, quando estão 80 por cento dos votos apurados, 18 deputados, contra os 17 parlamentares eleitos em janeiro.

A subida da Aurora Dourada, num momento de crise económica e de crise dos refugiados, preocupa os analistas, tal como o aumento da abstenção.

O ato eleitoral termina também com o partido da Unidade Popular, constituídos pelos dissidentes do Syriza e apoiado por Yanis Varoufakis, a não conseguir eleger deputados. O partido obteve menos de três por cento dos sufrágios, valor mínimo para obter representação parlamentar.

Alexis Tsipras volta agora a assumir as rédeas do Governo helénico. O próximo primeiro-ministro helénico já recebeu os parabéns do presidente do Parlamento Europeu, do presidente do Eurogrupo, do líder do espanhol Podemos e do presidente francês François Hollande.
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