HRW pede investigação sobre desfiladeiro usado como vala comum

por Lusa

Beirute, 04 mai 2020 (Lusa) -- A organização Human Rights Watch (HRW) pediu hoje uma investigação sobre um desfiladeiro do norte da Síria utilizado como vala comum, nomeadamente pelo autodenominado Estado Islâmico, para obrigar os responsáveis a prestar contas.

A fenda, com 50 metros de profundidade, está localizada numa área desértica da província de Raqa, controlada até ao final de 2017 pelo grupo `jihadista` numa área que o Estado Islâmico (EI) considerava parte do seu "califado".

A região foi reconquistada aos `jihadistas` pelas forças curdas, apoiadas por Washington e por uma coligação internacional, antes de ficar sob o controlo de combatentes sírios pró-Ancara após uma ofensiva lançada no final de 2019.

Após a derrota do EI, a HRW conseguiu realizar uma investigação no local, que revelou que o desfiladeiro serviu como sepultura em massa durante o período em que esteve sob o domínio dos `jihadistas`, mas também depois.

"O abismo de Al-Hota, que já foi um magnífico local natural, tornou-se um lugar de horror", afirmou a investigadora da HRW na Síria, Sara Kayyali.

O número de corpos largados nesta vala comum, que faz parte de cerca de 20 valas comuns descobertas nos antigos territórios do EI na Síria, é desconhecido.

O local onde está localizada a falha terrestre, cuja profundidade não é totalmente visível da superfície, já foi um local de lazer e piqueniques para os habitantes da região.

"Expor o que aconteceu ali, assim como nas outras valas comuns da Síria, é crucial para determinar o destino de milhares de pessoas executadas pelo EI e responsabilizar os assassinos", acrescentou Sara Kayyali.

A existência desta vala foi revelada quando um combatente do EI mandou arranjar o seu computador portátil num especialista em computadores da localidade de Tal Abyad, localizada perto da fronteira com a Turquia, segundo a HRW.

O informático copiou os dados do computador, incluindo um vídeo que mostra `jihadistas` a lançar corpos na vala comum.

 A HRW usou um drone para explorar as profundezas do desfiladeiro, filmando vários corpos a flutuar na água que ali se acumulou.

Com base no estado de decomposição dos restos mortais, a ONG referiu existirem "corpos que foram atirados para ali muito tempo depois de o EI ter deixado a região".

"A identidade dessas vítimas e as causas da morte permanecem desconhecidas", disse a HRW em comunicado.

Um desfiladeiro semelhante, conhecido como Al-Khafsa, no norte do Iraque, também está cheio de restos mortais de muitas vítimas do grupo `jihadista`, mas ainda não foi totalmente investigado, concluiu a HRW.

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