"Impeachment". Democratas acusam Casa Branca de tentar “ocultar factos”

por Carlos Santos Neves - RTP
O Capitólio, em Washington, sede da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos Carlos Barria - Reuters

A Casa Branca declarou, nas últimas horas, que o inquérito com vista a um eventual processo de destituição do Presidente dos Estados Unidos “não tem fundamento constitucional legítimo”. Pelo que Donald Trump não prestará qualquer tipo de colaboração. Posição que a speaker da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, descreve como “tentativa ilegal de ocultar os factos”.

Em comunicado, Nancy Pelosi afirma que, ao fechar a porta ao inquérito em marcha no Congresso, o núcleo duro do Presidente mostra querer “esconder os factos sobre os esforços descarados da Administração Trump para pressionar potências estrangeiras a interferirem nas eleições de 2020”.O assessor jurídico da Casa Branca Pat Cipollone salienta a ausência de votação na Câmara dos Representantes para a abertura do inquérito às ações do Presidente.

Pelosi vai mais longe, acusando a Casa Branca de procurar “camuflar a traição da democracia” norte-americana.

O inquérito tendente ao denominado impeachment - processo de destituição - do 45.º Presidente dos Estados Unidos foi recentemente desencadeado pela maioria democrata na Câmara dos Representantes.

Donald Trump é acusado de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a lançar uma investigação a atividades em solo ucraniano de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, agora candidato à nomeação democrata para as presidenciais.

Sobre o Presidente norte-americano recai a suspeita de ter bloqueado 400 milhões de dólares em assistência à Ucrânia para, assim, levar Zelensky a impulsionar a investigação. Esta pressão materializou-se num telefonema da Sala Oval para Kiev, a 25 de julho deste ano. Uma conversa posteriormente divulgada por um denunciante anónimo no seio da Administração.

Horas antes da divulgação do comunicado de Nancy Pelosi, a Casa Branca questionara a legitimidade e a imparcialidade do inquérito da Câmara, que está a ser conduzido por três comités: Relações Externas; Serviços Secretos; Supervisão e Reforma.

O processo, sustentou Pat Cipollone, advogado e assessor de Trump, “não tem fundamento constitucional legítimo, ou a menor aparência de imparcialidade”. Em carta dirigida à speaker da Câmara dos Representantes, Cipollone escreveu mesmo que o ramo executivo “não pode ser obrigado a participar”.



Nancy Pelosi estaria, de acordo com o advogado, “a tentar cancelar os resultados das eleições de 2016 e a privar os americanos do Presidente que escolheram livremente”.
Sondland, uma voz silenciada

A anteceder o envio da carta de Cipollone a Pelosi, a Casa Branca vedara o acesso do triunvirato de comités da Câmara dos Representantes ao embaixador dos Estados Unidos para a União Europeia, Gordon Sondland – mensagens de telemóvel publicadas na semana passada mostram que Sondland abordou a tentativa de pressionar o Governo ucraniano com outros diplomatas.

Robert Luskin, advogado de Sondland, adiantou que o embaixador norte-americano ficou “profundamente desapontado”, depois de se ter deslocado de Bruxelas para Washingon, tendo em vista o depoimento à porta fechada no Capitólio.

No Twitter, como habitualmente, Trump escreveu que teria “adorado enviar” o embaixador norte-americano “para testemunhar”, mas acrescentou que, “infelizmente”, Sondland teria de o fazer perante um “tribunal canguru totalmente comprometido, onde os direitos republicanos foram removidos e os verdadeiros factos não são mostrados ao público”.


Por sua vez, o presidente do Comité dos Serviços Secretos, Adam Schiff, considerou “profundamente relevantes” as mensagens em causa.

“Consideramos a falha na disponibilização desta testemunha, a falha na disponibilização destes documentos, mais uma forte prova de obstrução das funções constitucionais do Congresso”, contrapôs o legislador democrata da Califórnia.

c/ agências
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