Incêndios na Califórnia matam 50 pessoas

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Alimentados por ventos fortes e vegetação seca, em virtude de longos períodos sem chuva, os fogos tiveram várias frentes
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Os incêndios que lavram na Califórnia estão entre os mais mortíferos e destrutivos da história dos Estados Unidos. Os fogos provocaram 50 mortos, destruíram milhares de casas e obrigaram à deslocação de mais de 250 mil pessoas. A localidade de Paradise foi praticamente incinerada na quinta-feira. Donald Trump decretou o estado de emergência para o Estado.

A descoberta de mais seis corpos na localidade de Paradise e a consequente atualização do número de vítimas mortais, de 42 para 48, acentuou a dimensão da tragédia que se vive na localidade de Paradise, a 280 quilómetros de San Francisco. Acrescentando duas outras vítimas dos fogos em Malibu, são 50 as mortes associadas a incêndios que deflagraram na semana passada, no sul e no norte do Estado norte-americano da Califórnia.

Alimentados por ventos fortes e vegetação seca, em virtude de longos períodos sem chuva, os fogos tiveram várias frentes, destruíram milhares de edifícios e obrigaram ao encerramento de escolas, ao corte de estradas e à evacuação de localidades.

No norte da Califórnia, no condado de Butte, onde fica a localidade de Paradise, 52 mil pessoas foram obrigadas a deixar as habitações, às quais ainda não podem regressar. Desde quinta-feira passada já foram consumidos 52.600 hectares e 8.800 estruturas foram destruídas.

Em Paradise, praticamente reduzida a cinzas e onde morreram 48 pessoas, o fogo está a ser combatido por mais de cino mil bombeiros. As chamas ameaçam agora 15 mil habitações.
Num único mês foram registados 500 incêndios que consumiram uma área superior às cidades de Chicago e Boston juntas, de acordo com a agência estatal de proteção à floresta.
A Guarda Nacional vai reforçar o contingente com mais 100 militares para procurar e identificar restos humanos. Juntam-se aos antropólogos forenses e cães no terreno que concentram as buscas no pouco que resta da localidade.

Contudo, as autoridades alertam que a identificação dos poderá ser dificultada pelo nível das queimaduras e pela impossibilidade de usar impressões digitais. “Mesmo o recurso aos registos dentários poderá não ser possível se o consultório do dentista foi totalmente queimado”, explicou o xerife Kory L. Honea.

A sul foram destruídas mais de 400 estruturas e desalojadas cerca de 200 mil pessoas residentes nas áreas das montanhas e colinas perto da costa de Malibu, a oeste de Los Angeles. As chamas consumiram 39 mil hectares.

Um terceiro foco de incêndio no sul da Califórnia está praticamente controlado.
Ventos diminuem de intensidade
As chamas ganharam força até terça-feira, quando a diminuição de intensidade dos ventos e o aumento da humidade ajudaram os bombeiros na hercúlea tarefa de controlar as chamas. Conseguiram construir linhas de contenção em torno de mais de um terço dos dois incêndios.

As origens dos incêndios estão a ser investigadas. As duas empresas de eletricidade, a Southern California Edison e a Pacific Gas & Electric, comunicaram tiveram problemas com linhas de transmissão ou subestações em áreas atingidas pelas chamas, minutos antes de os incêndios começarem.

Com a diminuição dos ventos, as autoridades intensificam as tentativas para encontrar e identificar os restos mortais. “Queremos cobrir o máximo de território que pudermos”, disse o xerife Kory Honea, que pediu reforço da equipa forense, equipas de morgue e especialistas de um laboratório privado para fazerem exames de ADN.

Seis pessoas foram presas por roubos e outros crimes.

Ainda não existe qualquer previsão para que os moradores possam regressar às habitações.
Trump declara estado de emergência
Depois das críticas da última semana ao ordenamento florestal na Califórnia, Donald Trump decretou o estado de emergência na Califórnia e garante que vai fazer tudo o que puder para apoiar e proteger a população afetada pelos incêndios.

“Há mais vítimas do que alguma vez se pensasse ser possível”, afirmou o Presidente dos Estados Unidos, considerando que se trata de um acontecimento “muito grave”.

Na semana passada, o Presidente descartava o papel das mudanças climáticas no agravamento dos incêndios no oeste dos Estados Unidos e apontava a "má gestão das florestas".

O secretário de Estado do Interior Ryan Zinke e o Goverador da California Jerry Brown visitam esta quarta-feira as áreas afetadas.

Em Agosto, Zinke atribuiu "a má gestão das florestas” devido às restrições aos cortes de madeira que, segundo o secretário de Estado, são apoiadas por “grupos terroristas ambientais”.

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