Inspetores da OPAQ entraram em Douma

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Douma regressa lentamente à normalidade, após Damasco ter reconquistado o controlo da cidade aos grupos armados que a dominaram nos últimos seis anos.
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Após alguma polémica e de ter sido avançada a data de quarta-feira para o início das inspeções, a imprensa estatal síria anunciou que os técnicos de laboratório da Organização internacional para a Proibição de Armas Químicas, OPAQ, já estão em Douma.

A sua missão é examinar o local de um alegado ataque com armas químicas realizado a 7 de abril de 2018, de acordo com denúncias de grupos armados locais e dos Capacetes Brancos, grupo civil de socorro que opera nas áreas sírias dominadas por estes grupos.

Os inspetores deverão estabelecer se se deu ou não algum ataque e, em caso afirmativo, recolher amostras das substâncias utilizadas, para tentar determinar o seu tipo e até a proveniência, embora a identificação dos autores do ataque não se inclua no seu mandato.

O Governo sírio do Presidente Bashar al-Assad e o seu maior aliado internacional, a Rússia, têm sido responsabilizados pelo ataque de dia 7.

Ambos negam as acusações e Moscovo admite mesmo que se tratou de um embuste, afirmando não ter encontrado quaisquer vestígios do ataque, quando assumiu o controlo da cidade, dia 10 de abril.

Uma semana depois do ocorrido, Estados Unidos, Reino Unido e França, lançaram um ataque militar contra alvos sírios ligados à produção de armas químicas, como sinal a Assad de que o uso daquelas armas não será tolerado.

O ataque tripartido realizou-se à revelia das Nações Unidas, apesar de ter tido apoio internacional generalizado.

Deu-se igualmente antes da OPAQ ter tido ocasião de estabelecer a veracidade por trás das acusações.

Acusações de bloqueio
Os inspetores da Organização internacional chegaram a Damasco entre sexta-feira e sábado. Segunda-feira, ainda não tinham visitado a zona do alegado ataque.

Estados Unidos e Reino Unido acusaram Damasco de bloquear a inspeção e exprimiram receio de que os acusados poderiam tentar destruir os vestígios.

Damasco defendeu-se, sublinhando que tinha sido necessário emitir vistos e organizar reuniões e o itinerário.

A missão, afirmou, iria ao terreno nos dias seguintes, depois das estradas terem sido desminadas e serem consideradas seguras.

Esta manhã, a data para o início das inspeções era apontada para quarta-feira. Os media estatais sírios anunciaram entretanto que os inspetores já estão em Douma.

"Os especialistas da comissão de armas químicas entram em Douma", relatou a agência oficial Sana.

Douma é a maior cidade de Ghouta Oriental, uma zona na periferia da capital síria, Damasco, dominada há seis anos por grupos armados islamitas e hostis a Bashar al-Assad.

Desde 18 de fevereiro de 2018, uma intensa campanha de bombardeamentos por parte do exército sírio, com apoio russo, permitiu a Damasco reconquistar o controlo daquelas áreas, expulsando os militantes.

Douma foi o último bastião dos combatentes anti-Assad a render-se e, dia 10 de abril, as suas ruas passaram a ser controladas por soldados russos e pela polícia síria.

Domingo passado, estas forças afirmaram ter descoberto em Ghouta Oriental um laboratório sofisticado de fabrico de armas químicas, assim como um extenso arsenal composto por granadas de morteiro e outros projeteis, em grande quantidade.

Material alegadamente pertencente ao principal grupo armado de Ghouta Priental, o Jaisch al-Islam.

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