Jiang Zemin, presidente do "boom" económico da China, morreu aos 96 anos

por Andreia Martins - RTP
Jiang Zemin na chegada a Hong Kong, a 30 de junho de 1997. Simon Kwong - Reuters

Foi o presidente chinês que assumiu a liderança do Partido Comunista chinês após o massacre na Praça de Tiananmen, em 1989. Jiang Zemin liderou o país entre 1993 e 2003, uma década que ficou marcada por um forte crescimento económico na China. Jiang Zemin sofria de leucemia e morreu esta quarta-feira, em Xangai, aos 96 anos.

“A morte do camarada Jiang Zemin constitui uma perda incalculável para o nosso partido, para o nosso Exército e para a nossa população, de todos os grupos étnicos”, indicou o Partido Comunista Chinês, numa carta publicada pela agência Xinhua.

A morte de Jiang Zemin acontece num momento particular da história da China, numa altura em que as autoridades enfrentam protestos em várias cidades do país contra as políticas de “Covid zero”.

Essa tem sido, de resto, a política seguida pelo atual presidente, Xi Jinping, nos três anos de pandemia. Os protestos ocorrem também apenas algumas semanas depois de Xi Jinping ter assegurado um terceiro mandato como presidente no recente congresso do partido, concedendo-lhe um poder inédito desde Mao Zedong.

Para além das manifestações, as mais significativas numa década, a “Covid zero” tem sido um grande obstáculo ao desenvolvimento económico da China.

Talvez por isso a CCTV, televisão central da China, destaque o papel de Jiang após as insurreições que ocorreram há décadas.

"Durante a grave agitação política que abalou a China na primavera e no verão de 1989, o camarada Jiang Zemin manteve e implementou a decisão correta por parte do Comité Central do Partido de se opor à agitação, defender o poder do Estado socialista e salvaguardar os interesses fundamentais do povo", destacou a China Central Television.
Jiang Zemin foi presidente da China entre 1993 e 2003. Foi o líder do Partido Comunista entre 1989 e 2002, sendo substituído nesse ano por Hu Jintao. Ocupou a presidência da Comissão Militar do PCC até 2004.
Se foi responsável por abafar os protestos dos estudantes durante as manifestações no final dos anos 80, hoje a China recorda este presidente sobretudo com nostalgia, já que liderou o país numa era de otimismo e de crescimento económico pujante.

Foi também durante a presidência de Jiang Zemin que os territórios de Hong Kong e Macau foram devolvidos à China pelo Reino Unido e por Portugal, respetivamente.

Jiang Zemin chegou oficialmente à liderança do Partido Comunista a 24 de junho de 1989, precisamente 20 dias após o massacre na Praça de Tiananmen. No entanto, os mandatos como presidente da China ficaram marcados pelo atenuar do isolamento diplomático e por um crescimento económico sem precedentes.

“Embora pudesse ter um temperamento feroz, também tinha um lado informal e até mesmo peculiar, explodindo por vezes em canções, recitando poemas ou a tocar instrumentos musicais, em contraste com o seu sucessor fechado, Hu, assim como Xi”, destaca a agência Reuters.

Jiang é hoje recordado pelos chineses nas redes sociais com a carinhosa designação de “avô Jiang”, saudosos de uma liderança menos formal. Mas há também quem o acuse de ter fomentado a corrupção, a desigualdade e a repressão de ativistas políticos.

O principal legado deste ex-presidente será mesmo o enorme crescimento económico. Em 1989, a China ainda iniciava a sua modernização económica. Anos mais tarde, o país já era membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) e já tinha assegurado, por exemplo, a organização dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, elementos que ajudaram a consagrar a China como uma nova superpotência.
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