Líbia. Mercenários poderão retirar-se "nos próximos dias"

por RTP
De acordo com a ONU, são mais de 20 mil os mercenários e militares estrangeiros que permanecem na Líbia. Hazem Ahmed - Reuters

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Líbia disse esta quarta-feira haver progressos quanto ao problema dos mercenários estrangeiros no país. No final de um encontro internacional em Berlim, que teve por objetivo acelerar o processo de paz e assegurar que as eleições de dezembro na Líbia vão acontecer, Najla Mangoush avançou que, "nos próximos dias", os mercenários de ambas as partes do conflito deverão retirar-se.

Já o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, que participou no mesmo encontro, disse acreditar que Rússia e Turquia concordarão que qualquer retirada de mercenários deve ser progressiva e não da noite para o dia, de modo a manter algum “balanço”.

Um funcionário do Departamento de Estado norte-americano avançou entretanto à agência Reuters que a Turquia e a Rússia - que apoiam diferentes partes do conflito líbio - alcançaram um acordo inicial para retirar um total de 600 mercenários sírios do país.

Esta quarta-feira, no encontro em Berlim, o primeiro-ministro interino da Líbia pediu ajuda internacional para retirar do país os mercenários estrangeiros que lutam para as partes beligerantes da guerra civil.

Além da questão dos mercenários, esteve em cima da mesa neste encontro a estratégia para unir as fragmentadas forças armadas da Líbia e a criação de um cenário que permita que as eleições do final do ano se realizem de forma ordenada.

O primeiro-ministro interino, Abdulhamid Dbeibeh, nomeado pelas Nações Unidas em março para liderar um governo de união na Líbia, acredita que a insegurança vivida no país dificultará a transição.

Há preocupações quanto à segurança do processo político devido ao controlo direto e armado dos mercenários em algumas áreas, à presença de forças militares com dimensões políticas e à presença de alguns terroristas”, alertou Dbeibeh em Berlim.
Falta “seriedade” aos corpos legislativos da Líbia, diz Dbeibeh
O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros procurou assegurar aos participantes na reunião que a Líbia vai receber “apoio internacional”. A mesma posição foi defendida pelo secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, que diz ser essencial que o país avance com as eleições.

“Partilhamos o objetivo de uma Líbia soberana, estável, unida e segura, livre da interferência estrangeira”, salientou Blinken.

Com a ajuda das Nações Unidas, a Líbia conseguiu, no último ano, ver progressos após uma década de caos e violência no país. Graças a esse apoio, as administrações rivais nas regiões a leste e a oeste do país concordaram com um cessar-fogo e aceitaram a formação de um governo liderado por Dbeibeh.

O progresso não foi, porém, suficiente para que a paz se instalasse na Líbia, uma vez que o país continua a ter de lidar com a presença dos mercenários estrangeiros. Há também o risco de que as partes beligerantes acabem por dificultar o processo eleitoral de dezembro.

O primeiro-ministro interino já apelou ao parlamento para que aprove a legislação eleitoral que permita a realização das eleições de dezembro, pedindo também a aprovação do orçamento do seu governo. “Infelizmente, ainda não observámos a seriedade necessária por parte dos corpos legislativos”, lamentou esta quarta-feira.

De acordo com a ONU, são mais de 20 mil os mercenários e militares estrangeiros que permanecem na Líbia. Entre estas forças incluem-se militares turcos, russos, sudaneses e chadianos.

Estas forças estrangeiras lutam para as várias partes envolvidas na guerra civil que tem assolado a Líbia na última década, desde que, em 2011, Muammar Gaddafi foi derrubado do poder num golpe apoiado pela NATO.
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