Macron apresenta plano para melhorar subúrbios e combater radicalização

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O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou hoje que os governos franceses fomentaram o extremismo ao abandonarem os bairros mais pobres e prometeu novas medidas, duras "e por vezes autoritárias", para combater a radicalização.

Macron anunciou hoje um plano de vários milhões de euros e pediu uma "mobilização nacional" em favor dos subúrbios, onde as oportunidades de trabalho são raras e a criminalidade é elevada, especialmente entre os descendentes de imigrantes das antigas colónias francesas.

Mais de cinco milhões de pessoas vivem em bairros desfavorecidos em França, onde o desemprego atinge os 25%, bem acima da média nacional de 10%, e, entre os jovens com menos de 30 anos, mais de 30%.

Entre as medidas anunciadas figuram empréstimos para os jovens que queiram abrir pequenas empresas, a duplicação dos fundos para habitação social, a expansão da rede de estabelecimentos pré-escolares, a melhoria dos transportes públicos nos bairros isolados, subsídios para as empresas que contratem jovens desfavorecidos e reforço dos agentes de polícia.

"A radicalização ganhou raízes porque o Estado se demitiu" das suas responsabilidades nos bairros desfavorecidos, abrindo caminho a pregadores extremistas, disse Macron.

Segundo o Presidente, esses extremistas recrutam os jovens dizendo-lhes: "Vou tomar conta dos teus filhos, vou tomar conta dos teus pais, vou propor o que o Estado não te oferece".

Muitos dos autores de ataques terroristas perpetrados em França nos últimos anos cresceram em subúrbios desfavorecidos das grandes cidades francesas.

Segundo o diretor dos serviços de informações internas DGSI, Laurent Nunez, a lista de suspeitos de radicalização inclui quase 18.000 nomes.

Macron disse que o governo vai apresentar umas 15 medidas para combater a radicalização e ordenar o encerramento de "estruturas inaceitáveis" que promovem o extremismo e "tentam fraturar" a sociedade francesa.

Considerado por alguns críticos como o "presidente dos ricos", pela visão económica liberal, Macron quis contrariar essa ideia e insistiu que a sua estratégia só funcionará se as empresas contratarem minorias e pobres, prometendo medidas para denunciar publicamente as empresas que sejam discriminatórias nos contratos.

Outras medidas incluem, por exemplo, o alargamento do horário das bibliotecas nos bairros mais desfavorecidos e perigosos, para que os jovens tenham onde estar depois de escurecer.

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