Mais festas em Downing Street. Novas polémicas aumentam pressão sobre Boris Johnson

por Joana Raposo Santos - RTP
As polémicas têm valido ao primeiro-ministro exigências de demissão por parte de conservadores e trabalhistas no Parlamento. Paul Childs - Reuters

O número 10 de Downing Street está, mais uma vez, envolvido em polémica devido a festas realizadas durante o período de confinamento face à pandemia de covid-19. Agora, os funcionários estão a ser acusados de realizar duas festas de despedida na véspera do funeral do Duque de Edimburgo, em abril do ano passado.

Na altura, as restrições para conter o SARS-CoV-2 incluíam a proibição de ajuntamentos entre pessoas de agregados familiares diferentes. Além disso, estava em vigor no Reino Unido um período de luto nacional devido ao falecimento do príncipe Filipe.

Cada convívio terá contado com a participação de cerca de 30 pessoas e envolvido o consumo de bebidas alcoólicas e dança até de madrugada, avançou o diário The Telegraph esta sexta-feira.

Questionado pela BBC, o Executivo de Boris Johnson confirmou ter havido um discurso de despedida, mas não quis fazer comentários sobre as alegadas danças e consumo de álcool.

“James Slack [ex-diretor de comunicação de Boris Johnson] fez um discurso de despedida para agradecer a cada colega da equipa” antes de abandonar o cargo para se tornar o novo vice-editor do jornal The Sun, avançou uma porta-voz do Governo britânico.
Slack veio já a público pedir desculpa pela “raiva e sofrimento” causados pela realização da festa em sua homenagem.

“Quero pedir desculpa, sem reservas, pela raiva e sofrimento causados. Este evento não deveria ter acontecido na altura em que aconteceu. Estou profundamente arrependido e assumo total responsabilidade”, declarou esta sexta-feira, citado pelo Guardian.

James Slack disse não poder comentar mais o caso até à conclusão da investigação interna a várias celebrações em Downing Street durante o período de confinamento.
Vinho, música e “ambiente de festa”
Segundo o Telegraph, a festa de despedida de James Slack coincidiu com outro convívio na cave do número 10 de Downing Street, neste caso para celebrar a saída de um dos fotógrafos pessoais do primeiro-ministro.

O diário britânico refere ainda que alguns dos funcionários foram a uma loja nas proximidades e trouxeram de volta uma mala “cheia de garrafas de vinho”. Na festa que alegadamente aconteceu na cave, “havia um ambiente de festa”, com um computador portátil “a passar música aos altos berros”.

Mais tarde, as duas festas ter-se-ão unido no jardim da residência oficial do primeiro-ministro, terminando depois da meia-noite.

Sabe-se já que Boris Johnson não esteve presente em nenhum dos eventos, encontrando-se a passar esse fim de semana na sua casa de campo.

A deputada trabalhista Angela Rayner já reagiu às notícias, argumentando que “a responsabilidade sobre os comportamentos” no número 10 “fica com o primeiro-ministro”.

Lembrou ainda que, nessa altura, “a rainha estava em casa a fazer o luto, assim como muitos outros, lidando com o trauma e sacrifício de o fazer sozinha para respeitar as regras” impostas pela pandemia.
Deputados pedem demissão de Boris Johnson
As revelações avançadas pelo Telegraph chegam numa altura em que Downing Street está sob fogo cerrado devido a outras festas lá realizadas em período de confinamento – pelo menos uma delas com a presença do primeiro-ministro.

A festa em questão aconteceu em maio de 2020, altura em que o Reino Unido atravessava ainda a primeira vaga da pandemia de covid-19. As restrições ditavam que ninguém podia sair de casa sem uma justificação viável e que cada indivíduo apenas poderia encontrar-se em espaços públicos com uma pessoa fora do agregado familiar.

Ainda assim, o secretário de Boris Johnson convidou por e-mail cerca de 100 pessoas para “tomarem, com distanciamento social, bebidas no jardim” da residência oficial do chefe de Governo, em Downing Street.

O primeiro-ministro já pediu desculpa por ter participado no evento, mas frisou que não foi ele a organizá-lo. Disse ainda acreditar firmemente que se tratava de um “evento de trabalho” e não de uma festa, assegurando que apenas lá esteve 25 minutos.

A polémica tem valido ao primeiro-ministro exigências de demissão por parte de conservadores e trabalhistas no Parlamento. O deputado Douglas Ross avançou mesmo que irá escrever ao comité que organiza as disputas pela liderança conservadora para registar a sua falta de confiança em Boris Johnson.
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