Mais uma vacina disponível. EUA dão luz verde à inoculação da Johnson & Johnson

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Reuters

O comité consultivo de vacinas da autoridade do medicamento norte-americano (FDA) autorizou, no sábado, a vacina de dose única da Johnson & Johsnon, sendo a terceira a receber luz verde nos EUA. Na União Europeia, espera-se que a vacina desta farmacêutica seja aprovada no início de março.

Os membros do comité de especialistas que avalia vacinas na FDA consideraram unanimemente que os benefícios da vacina da Johnson & Johnson (J&J) superam os riscos para os idosos, provando ser segura para os norte-americanos com mais de 18 anos.

Esta é a terceira vacina contra a Covid-19 a ser aprovada nos EUA, depois das da Pfizer/BoiNTech e da Moderna.

Nos EUA, as vacinas de duas doses da Pfizer e Moderna mostraram ser 95 por cento eficazes contra a Covid-19. Os ensaios com a vacina J&J mostraram 86 por cento de eficácia contra casos graves de infeção por Covid-19, hospitalizações e mortes. Quando foram incluídos os casos moderados, a eficácia caiu para 66 por cento, mas os especialistas defendem que os números destas três vacinas não podem ser comparados por causa das diferenças entre os estudos, uma vez que as vacinas da Pfizer e Moderna foram submetidas a ensaios quando ainda não tinham sido detetadas as novas variantes.
Dose única
Alguns dos especialistas reunidos no sábado lembraram que a necessidade de vacinas torna o candidato J&J necessário, especialmente porque se mostrou seguro e previne suficientemente a doença, enquanto a empresa farmacêutica continua a avançar com o plano para melhorar e adaptar para as novas variantes.
Para além disso, a vacina J&J apresenta grandes vantagens, como o facto de requerer apenas uma única dose e não necessitar de temperaturas extremas de congelamento para armazenamento, pois pode ser mantida entre 2 e 8 graus Celsius, tornado a sua distribuição mais fácil do que a das vacinas da Pfizer e Moderna, por exemplo, que devem ser enviadas congeladas.

O Governo dos EUA comprou 100 milhões de doses da vacina e a Johnson & Johnson prometeu entregar cerca de 20 milhões até o final de março. O executivo norte-americano procura distribuir cerca de quatro milhões de doses já na próxima semana, o que se somará às cerca de 16 milhões de doses das vacinas da Moderna e da Pfizer que o Governo já tem planeado distribuir por todo o país. Os Estados Unidos continuam a ser o país mais afetado a nível global, tanto em número de mortos como de casos, com um total de 508.314 mortes entre 28.413.620 casos reportados.

Até agora, os Estados Unidos distribuíram mais de 90 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Cerca de 14 por cento dos norte-americanos já receberam pelo menos uma dose, de acordo com dados do Governo norte-americano.

O Presidente norte-americano saudou a aprovação da vacina da J&J, considerando “um avanço encorajador nos nossos esforços para pôr fim à crise”. No entanto, Joe Biden deixou um aviso: “Esta luta está longe do fim. As coisas ainda devem piorar à medida que novas variantes se propagam”.
Vacina deverá ser aprovada na UE em março
A Johnson & Johnson também está à procura de autorização para o uso emergencial da sua vacina na Europa. O pedido à União Europeia já foi submetido a 16 de fevereiro e o regulador de medicamentos deverá recomendar o uso da vacina J&J no início do próximo mês, segundo avança a Bloomberg.

Segundo fonte da UE, a luz verde por parte da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) deverá chegar a 11 de março. Se assim for, a vacina da J&J será a quarta a conseguir autorização na UE, depois das da Moderna, AstraZeneca e Pfizer/BioNTech.

A Comissão Europeia já tinha adiantado que as entregas da vacina da Johnson & Johnson deveriam começar no início de abril.

Em janeiro, o diretor médico da Janssen, Manuel Salavessa confirmou o compromisso em disponibilizar 200 milhões de doses à União Europeia, com as primeiras 1,25 milhões de doses da vacina a serem entregues a Portugal no segundo trimestre. A 16 de fevereiro, o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, garantiu que a farmacêutica irá cumprir os acordos e as datas de distribuição das vacinas.

c/agências
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