Menina palestiniana julgada à porta fechada por esbofetear soldados

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A jovem palestiniana Ahed Tamimi começa hoje a ser julgada por ter esbofeteado dois soldados israelitas, da força que ocupava a sua aldeia. Organizações internacionais de direitos humanos alertam contra a banalização da prisão de crianças palestinianas.

O pai de Ahed, Bassem Tamimi, declarou à agência Reuters que não espera justiça do tribunal israelita e explicou: "Eles estão a tentar maximizar a acusação para poderem maximizar a sentença, porque são controlados pela opinião pública israelita de extrema-direita".

Citada pelo diário israelita Jerusalem Post, a organização de direitos humanos Amnistia Internacional, por seu lado, apelou à imediata libertação de Ahed Tamimi e lembrou que "segundo a Convenção de Direitos da Criança, da qual Israel é signatário, a detenção ou prisão de uma criança tem de ser usada apenas como medida de último recurso e no mais curto e adequado lapso de tempo".

Ainda segundo a Amnistia Internacional, há actualmente 350 crianças ou adolescentes palestinianos na cadeia, regularmente sujeitos a "maus tratos, sendo vendados, ameaçados, colocados em prisão solitária, ou interrogados sem a presença dos seus advogados ou familiares".

A organização israelita de direitos humanos B'Tselem emitiu uma declaração criticando o procedimento da Justiça: "A prisão - mesmo de menores - faz parte da rotina da opressão que Israel exerce sobre os palestinianos, com o completo apoio dos tribunais militares, um sistema em que tanto os juízes como os procuradores são sempre militares, os réus são sempre palestinianos e a taxa de condenações é de quase 100%".

A jovem completou 17 anos na cadeia, tendo sido detida em 19 de Dezembro, após a divulgação nas redes sociais de um vídeo em que aparecia a esbofetear dois soldados israelitas. O Ministério Público reuniu então contra ela 12 acusações, referentes a vários anos.

Em janeiro, a defesa de Ahed Tamimi pediu que a jovem e a sua prima, Neriman Tamimi, pudessem aguardar o julgamento em liberdade, mas o pedido foi recusado com a alegação de se tratar de uma pessoa "perigosa". Agora, a defesa pediu que as sessões do julgamento fossem públicas, e mais uma vez o pedido foi recusado. As sessões terão lugar à porta fechada.

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