Michelle Bachelet será alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos

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A antiga Presidente do Chile substitui a partir de setembro o jordano Zeid Ra’ad Al Hussein
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Foi confirmada esta sexta-feira a nomeação de Michelle Bachelet como alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A antiga Presidente do Chile substituirá a partir de setembro o jordano Zeid Ra’ad Al Hussein, uma das vozes mais críticas da atual Administração norte-americana na arena política internacional.

A nomeação da antiga Chefe de Estado, pela mão do secretário-geral António Guterres, foi conhecida na passada quarta-feira. Recebeu agora a chancela da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Com a unanimidade das delegações dos 192 Estados representados neste órgão.O Ministério português dos Negócios Estrangeiros congratulou-se com a nomeação de Michelle Bachelet.


Aos 66 anos, Bachelet prepara-se assim para render o diplomata jordano Zeid Ra’ad Al Hussein, o que deverá acontecer a 1 de setembro. O mandato é de quatro anos.

A antiga Presidente chilena reagiu num vídeo publicado na rede social Twitter, dizendo-se “profundamente honrada e comovida” e prometendo empregar “toda a energia e as convicções” no posto que lhe foi confiado.


Pouco depois da confirmação, António Guterres dirigiu-se aos jornalistas para assinalar que Bachelet vai assumir o Alto-Comissariado “num período de graves consequências para os Direitos Humanos”.

Por sua vez, o alto-comissário cessante, que durante o seu mandato furou os limites do léxico diplomático - ao qualificar, por exemplo, Donald Trump como “perigoso” e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, como “racista” -, considerou que Michelle Bachelet reúne “todas as qualidades” para o cargo.

Al Hussein enumerou, referindo-se à sucessora, “a coragem, a perseverança, a paixão e um compromisso profundo em defesa dos Direitos Humanos”.
“Notável percurso”

Também Lisboa saudou a nomeação da antiga Presidente chilena. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinha que “Michelle Bachelet tem um notável percurso de intervenção em defesa dos Direitos Humanos quer no seu país de origem, quer na esfera internacional, que constitui uma inegável mais-valia para o desempenho das suas novas funções”.

Na mesma nota, o gabinete de Augusto Santos Silva enfatiza o “firme compromisso” do Executivo português “com um sistema multilateral forte e eficaz de proteção dos Direitos Humanos”. E compromete-se a apoiar Michelle Bachelet enquanto detentora de um “cargo fundamental no sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas”.

As Necessidades agradecem, por fim, a Zeid Ra’ad Al Hussein “a determinação demonstrada na promoção dos Direitos Humanos ao longo do seu mandato”.

Filha de um general opositor do regime de Augusto Pinochet, Michelle Bachelet foi já a primeira diretora da agência da ONU que se dedica a promover a igualdade entre homens e mulheres, instituída em 2010.

Socialista, médica pediatra, foi a primeira mulher a ser eleita para a Presidência do Chile. Cumpriu dois mandatos: de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018.

Tópicos:

Alto-Comissariado, Chile, Direitos Humanos, Michelle Bachelet, Nações Unidas, ONU, Presidente, Zeid Ra’ad Al Hussein,

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