Michigan investiga "conspiração" de apoiantes de Trump nas eleições de 2020

por RTP
Reuters

Depois das disputadas eleições norte-americanas de 2020, os apoiantes de Donald Trump tentaram reverter os resultados e retirar a vitória a Joe Biden. Quase dois anos depois, no Estado do Michigan está a ser investigada uma "conspiração", na qual um deputado estadual e um advogado autorizado pelo ex-presidente - possível candidato à Procuradoria-Geral desse Estado - terão tentado aceder às urnas para provar as alegações de fraude eleitoral dos republicanos.

O Michigan é um dos Estados onde as eleições foram mais renhidas, em 2020, e após as revelações de uma suposta tentativa de intromissão e acesso às urnas começou a investigação a mais uma alegada “conspiração”. Os dados divulgados indicam que houve funcionários eleitorais que terão sido enganados e que, consequentemente, terá havido “acesso indevido” às urnas para comprovar as alegações de Trump.

Um dos nomes na acusação é o de um provável candidato republicano a procurador-geral do Michigan.

Segundo a imprensa norte-americana, a Procuradoria-Geral de Michigan está por isso a pedir um promotor especial para investigar se Matt DePerno está envolvido na tentativa de aceder às urnas após a eleição de 2020. Segundo a atual procuradora-geral e novamente candidata ao cargo, Dana Nessel, a acusação abrange pelo menos nove pessoas, incluindo o seu possível adversário do Partido Republicano de Michigan na corrida ao cargo de procurador-geral.

De acordo com a acusação da instituição estadual, DePerno é “um dos principais instigadores da conspiração”, juntamente com o deputado estadual Daire Rendon, de Lake City, e o xerife Dar Leaf, do condado de Barry. A informação foi avançada pelo Detroit News, que teve acesso a uma carta do gabinete da Procuradoria-Geral dirigida à secretária de Estado Jocelyn Benson.
Acesso indevido às urnas
Os documentos referem que os nove alegados envolvidos terão telefonado a funcionários locais destacados para trabalhar nas eleições, que os terão convencido a entregar as urnas e a deixá-las em determinados hotéis e propriedades do condado de Oakland. O objetivo, especifica a carta, era aceder às urnas e aos equipamentos de votação eletrónica, imprimir “cédulas falsas” e “testar” o equipamento.

Matt DePerno é um advogado que tem ganho alguma notoriedade por ter contestado os resultados eleitorais, há dois anos, e por ter sido endossado por Donald Trump. Sendo um dos principais nomes nesta acusação, quando começou a investigação “não havia conflito de interesses”. Mas, uma vez que se prevê que se candidate contra Dana Nessel, a Procuradoria-Geral decidiu pedir ao Conselho de Coordenação de Procuradores do Michigan para eleger um promotor especial que avance com a investigação.

"Quando esta investigação começou, não havia conflito de interesses", escreveu Danielle Hagaman-Clark, chefe da divisão de julgamentos e apelações criminais da Procuradoria- Geral, na petição. "No entanto, durante o curso da investigação, foram divulgadas provas de que DePerno foi um dos principais instigadores da conspiração”.

Os equipamentos de votação foram “retirados aos funcionários locais” durante semanas, continua o documento, e provou-se que um dos sistemas foi sujeito “a extensa adulteração física”.

Segundo a Reuters, DePerno liderava um grupo que terá tido acesso não autorizado a equipamentos de votação em Richfield Township. O advogado próximo de Trump já reagiu ás acusações alegando que a investigação de Nessel é “politicamente motivada”.

"A minha opositora pediu que eu fosse preso pelo 'crime' de investigar a fraude eleitoral em 2020", escreveu no Twitter.




"Dana Nessel sabe que está a perder esta corrida", disse também o gestor de campanha de DePerno, Tyson Shepard, num comunicado na noite de domingo. “Ela está desesperada para ganhar esta eleição a todo custo e agora tem DePerno como alvo, seu opositor político. As suas ações são antiéticas e demonstrarão ainda mais aos eleitores que não é adequada para o cargo”.

Ainda antes de a investigação ter avançado, a disputa pela Procuradoria-Geral do Michigan era das mais observadas e noticiadas nos Estados Unidos.
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