Microsoft alerta para ataque informático russo contra computadores nos EUA

por RTP
Pirata-informático Reuters

A Nobelium, agência baseada na Rússia responsável pelo ciberataque do ano passado à norte-americana SolarWinds está a realizar um novo ataque informático contra os Estados Unidos, desta vez contra os computadores de centenas de empresas e de organizações, advertiu a Microsoft.

O novo ciberataque está a ter por alvo "retalhistas e outros fornecedores de serviços de tecnologia" em nuvem refere a gigante norte-americana num blog, e integra-se numa campanha mais abrangente contra os sistemas informáticos norte-americanos que já vem do verão. A Microsoft referiu que notificou dos ataques 609 dos seus clientes entre 1 de julho e 19 de outubro deste ano, frisando ainda ao New York Times que apenas uma pequena percentagem foi bem-sucedida, sem mais detalhes.

"Esta atividade recente é mais um sinal de que a Rússia procura ganhar acesso remoto sistemático e de longo prazo a uma variedade de elementos da cadeia de abastecimento tecnológico e estabelecer um mecanismo para vigiar - agora ou no futuro - alvos de interesse para o Governo russo", escreveu a Microsoft.

Os responsáveis pela cibersegurança norte-americana não manifestaram até agora qualquer reação. Outros responsáveis da Administração confirmaram contudo ao Times que a operação estava em curso, com uma fonte bem colocada a classificar, sob anonimato, o ataque como "pouco sofisticado".

Têm sido "operações medíocres, que poderiam ter sido evitadas se os operadores de serviços em nuvem tivessem implementado práticas de cibersegurança elementares", referiu.
Google paga por não apagar conteúdos
Esta segunda-feira, após reuniões entre o Governo russo e o representante legal da Google, foi anunciado que a gigante tecnológica americana pagou à Rússia mais de 32 milhões de rublos (quase meio milhão de dólares) em multas por não ter apagado do seu motor de busca e do YouTube conteúdo que Moscovo considera ilegal. A ameaça de retenção no final de outubro de uma percentagem dos lucros da Google, tinha sido deixada na semana passada pelo executivo russo. Esta foi a mais importante reação até agora do Kremlin contra firmas estrangeiras.

Vasily Piskarev, que lidera uma comissão parlamentar para investigar alegadas interferências externas na Rússia, disse esta segunda-feira que os representantes da empresa exprimiram vontade de diálogo pelo que a Google tinha pago 32 milhões de rublos em dívidas.

Marco Pancini, diretor do YouTube para os contatos estatais, garantiu num blog que a Google tinha pago as multas impostas dentro dos prazos.
O regulador russo, Roskomnadzor, orçou estas em 32.5 milhões de rublos para este ano.

De acordo com a agência Interfax, a mesma Roskomnadzor afirmou esta segunda-feira ter a possibilidade de abrandar a velocidade do Youtube, afastando para já a sua implementação em face a medidas administrativas consideradas suficientes.

Em 2020, a Google aceitou apagar conteúdos a pedido das autoridades russas e cumpriu a 96,2 por cento, referiu Pancini. No final do primeiro semestre de 2021, removeu 489 mil vídeos, mas a Rússia considera que se mantém disponível demasiado conteúdo proibido.

Na semana passada, Piskarev referiu que este incluía pornografia infantil.

A Rússia ordenou a outras tecnológicas estrangeiras que apagassem publicações a promover o abuso de drogas e passatempos perigosos, informação sobre o fabrico de armas e de explosivos em casa ou sobre grupos designados como extremistas ou terroristas.

A agência RIA citou Piskarev para referir que cerca de 2.650 conteúdos de conteúdo ilegal permanecia disponível nas redes da Google até ao inicio de outubro.

"Fizeram alguma coisa mas, como vemos, ainda está apesar disso longe do ideal", afirmou o deputado, que referiu dificuldades técnicas por parte da Google, de acordo com Pancini, para apagar todo o conteúdo banido.
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