Militares do governo e ONU retomam controlo de vila mineira rica em urânio

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A vila mineira de Bakouma, no sudeste da República Centro-Africana (RCA), conhecida pelas suas importantes reservas de urânio e que tinha sido atacada por dois grupos armados no final de dezembro, foi recuperada pelas autoridades na quarta-feira.

"O exército centro-africano e a Minusca (missão da ONU no país) estão em Bakouma desde ontem de manhã", disse hoje Pierrette Benguere, a prefeita de Mbomou, a região de Bakouma, à AFP.

Benguere acrescentou que a Frente Popular para o Renascimento da República Centro-Africana (FPRC, na sigla em Francês), um dos principais grupos armados saídos da ex-Seleka (coligação na língua franca local), que tinha conquistado Bangui em 2013, abandonou o local.

"Não houve confrontos", acrescentou à AFP uma fonte próxima dos designados comités de autodefesa (antibalaka) de Bangassou.

Desde 31 de dezembro que dois grupos armados saídos da ex-Seleka desencadearam em Bakouma uma vaga de combates, primeiro contra os milicianos antibalaka, depois contra os militares governamentais.

Pelo menos, uma dezena de pessoas foram mortas neste combates, entre os quais o `sultão` de Bakouma, autoridade moral da zona.

A FPRC e outro grupo armado União para a Paz na República Centro-Africana (UPC, na sigla em Francês) indicaram que queriam "expulsar" da localidade os militares do governo (FACA, na sigla em Francês).

Vários milhares de deslocados fugiram de Bakouma desde o inicio dos combates para Bangassou, a sede da prefeitura de Mbomou, situada cem quilómetros a sul.

"A FPRC indicou (...) as suas intenções de estabelecer uma base permanente em Bangassou para limpar a zona dos elementos antibalaka e das FACA (Forças Armadas da RCA), depois de ter anunciado ataques à população local", detalhava no início de janeiro um relatório interno da Organização das Nações Unidas.

Por várias vezes as FACA, acompanhadas de `capacetes azuis` da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca), tentaram sem sucesso recuperar o controlo da localidade.

A região, que tem importantes reservas de urânio, é frequentemente palco de conflitos entre grupos armados que as pretendem controlar.

Estes grupos, que controlam praticamente todo o território, disputam o controlo dos recursos e da influência local neste país com 4,5 milhões de habitantes considerado um dos mais pobres do mundo, mas rico em diamantes, ouro e urânio.

Um diálogo entre as autoridades e os grupos armados está marcado para 24 de janeiro, sob a égide da União Africana.

Portugal participa na Minusca desde o início de 2017, com uma companhia de tropas especiais, a operar como Força de Reação Rápida, comandada pelo tenente-general senegalês Balla Keita.

Portugal tem 230 militares empenhados em missões na RCA, dos quais 180 na Minusca - uma companhia de paraquedistas e elementos de ligação - e 50 na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA).

Tópicos:

Bakouma, Bangassou, Bangui, FPRC,

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