Ministro da Defesa israelita quer encerrar embaixada em Dublin

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A declaração foi motivada pela aprovação de um projeto-lei no Senado irlandês
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A Irlanda aprovou, nesta quarta-feira, um projeto-lei que proíbe o país de importar bens dos colonatos israelitas. Após essa medida, o ministro da Defesa israelita, Avigdor Liberman, defendeu esta quinta-feira que a embaixada de Israel em Dublin deveria ser encerrada.

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, defendeu que a embaixada de Israel na capital irlandesa deveria ser encerrada. As suas declarações foram suscitadas pela aprovação de uma lei que proíbe a Irlanda de importar bens provenientes dos colonatos israelitas.

“Israel deveria encerrar a sua embaixada em Dublin imediatamente. Não vamos oferecer a outra face àqueles que nos boicotam”, escreveu o ministro num tweet.

Tal como explica o Times of Israel, o encerramento da embaixada levaria a uma degradação das relações entre os dois países, mas isso não seria o mesmo que quebrar relações diplomáticas.

O projeto-lei, aprovado nesta quarta-feira, obteve 25 votos a favor, 20 votos contra e 14 abstenções. Caso se torne lei, a medida iria boicotar os colonatos israelitas, empreendimentos que, ficando fora do território israelita, são economicamente exploradas por Israel.
Os vários lados da história
Frances Black, um dos senadores irlandeses a favor do projeto-lei, defende que, apesar de os colonatos israelitas serem ilegais pelas normas da União Europeia, dos Estados Unidos e do Governo irlandês, estes “continuam a extrair recursos naturais valiosos e a fazer produção agrícola”, como se pode ler no Jewish News Syndicate.

“Há aqui uma hipocrisia clara: como podemos condenar os colonatos como ‘inequivocamente ilegais’, por roubarem território e recursos, mas depois compramos alegremente os frutos desse crime?”, inquiriu o senador.

Já Lieberman aponta em comunicado para o absurdo da iniciativa do Senado irlandês: “Irá afetar as vidas de muitos palestinianos que trabalham nas zonas industriais de Israel afetadas pelo boicote”, afirma.

Por outro lado, os Palestinianos celebram a aprovação do projeto-lei, dado as terras que supostamente lhes pertencem serem exploradas pelos israelitas.

“Este passo corajoso, motivado pelas relações históricas entre a Irlanda e a Palestina, mostra o caminho a seguir pelo resto da Europa”, afirmou em comunicado Saeb Erekat, oficial da Organização para a Libertação da Palestina.
Medida pode não ser aprovada
O projeto-lei terá agora de passar pela Câmara dos Deputados. No entanto, apesar de o Governo irlandês ser dos mais favoráveis da União Europeia em relação à Palestina, este já se opôs à medida.

Simon Coveney, ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio, explicou no Senado que o tipo de boicote que o projeto-lei pretende impor é logisticamente impossível, visto o comércio estar ligado com o da União Europeia.

Apesar de lamentar “a grande injustiça” vivida pelos Palestinianos durante décadas, Coveney arugumenta que existem razões políticas e legais importantes que se opõem ao projeto-lei.

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