Moscovici alerta para “pequenos Mussolinis” e enfurece Salvini

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A declaração de Moscovici, num evento da Comissão Europeia em Paris, também mereceu a reprovação do líder do Movimento 5-Estrelas, Luigi Di Maio
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O vice-primeiro-ministro italiano respondeu à letra ao comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros. Sem nomear ninguém, o francês Pierre Moscovici disse temer que estivessem a aparecer na Europa “pequenos Mussolinis”. Matteo Salvini considerou o comentário injurioso e aconselhou Moscovici a “lavar a boca antes de insultar Itália”.

Pierre Moscovici comparou a atual situação política, em que se verifica a subida de movimentos populistas em diferentes países europeus, com a da década de 1930, quando o alemão Adolf Hitler e o italiano Benito Mussolini estavam no poder.

“Felizmente que não há som de botas de cano alto. Não há Hitler mas [pode haver] pequenos Mussolinis. Isso ainda está para se ver”, dizia Moscovici, em Paris, aos jornalistas em tom jocoso.

No entanto, a declaração desencadeou a fúria de Salvini, que também é ministro do Interior, conhecido pela sua forte oposição às políticas migratórias europeias, e líder do movimento de extrema-direita Liga.

“Ele devia lavar a boca antes de insultar Itália, os italianos e o seu governo legítimo”, reagiu Salvini em comunicado.

O italiano aproveitou a oportunidade para criticar a França, que acusa de não fazer o suficiente para ajudar a lidar com os migrantes da África e de ter contribuído para o caos na Líbia, ao ajudar a retirar do poder Muammar Kaddafi.

"O comissário da UE, Moscovici, em vez de censurar a sua França que rejeita imigrantes, ... bombardeou a Líbia, não cumpriu os parâmetros europeus [orçamento], ataca a Itália e fala sobre 'muitos pequenos Mussolini' em toda a Europa", acrescentou.
Controlo da dívida pública
A resposta de Salvini também visava outras considerações que o antigo ministro francês da Economia e das Finanças e atual comissário europeu teceu sobre as prioridades italianas de investimento.

Moscovici tinha aconselhado a Itália a cortar gastos desnecessários, para investir em infraestruturas e outras prioridades, que ajudem a estimular a produtividade e o crescimento económico.

“É do interesse da Itália reduzir a sua muito alta dívida pública (…). Seria uma mentira pensar que se pode investir com um défice mais alto. Se isso acontecer, vão acabar com uma dívida maior e uma menor capacidade de investimento”, tinha declarado Pierre Moscovici.

A Itália está a preparar o Orçamento para o próximo ano, um processo que tem provocado alguns episódios de tensão na coligação no Governo.

O movimento 5-Estrelas tem pressionado o ministro da Economia Giovanni Tria para aumentar o investimento, de modo a garantir o rendimento mínimo universal.

O comissário europeu dizia que tem trabalhado em conjunto com o ministro italiano, num “ambiente construtivo” ao qual gostaria de dar continuidade.

“O orçamento italiano precisa de ser credível, credível ao nível nominal, mas também credível em termos de reformas estruturais que são necessárias. É preciso um esforço significativo do lado estrutural”, declarou Moscovici.

Tópicos:

Dívida, França, Itália, Luigi Di Maio, Matteo Salvini, Migrantes, Mussolini, Pierre Moscovici, Populismos,

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