MSF presente no norte de Moçambique

por Lusa
O apoio dos MSF no norte de Moçambique tem vindo a aumentar D.R.-MSF

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem quatro projetos de assistência estáveis em Cabo Delgado, ao fim de cinco anos de conflito armado no norte de Moçambique, revelou hoje num comunicado de balanço.

"A MSF mantém projetos estáveis em Macomia, Palma, Mocímboa da Praia e Mueda", a que acrescenta a circulação de "clínicas móveis" em Muidumbe, Nangade e Meluco. 

A organização presta cuidados primários de saúde, incluindo saúde sexual e reprodutiva e planeamento familiar, serviços de saúde mental, reparação de sistemas de água e saneamento e apoio a hospitais locais.

A saúde sexual e reprodutiva e planeamento familiar são de especial importância, tendo em conta a alta natalidade (cada mulher tem em média cinco filhos) e a elevada taxa de mortalidade materno-infantil (159 mortes de menores de 5 anos por mil nascimentos, entre mais elevadas do mundo).

"Após novas ondas de deslocamento, as nossas equipas móveis visitam frequentemente diferentes áreas para fornecer itens de primeira necessidade e alimentos", acrescenta.

A MSF apresenta-se como "uma das primeiras organizações humanitárias a iniciar operações em diferentes regiões da província e, nalguns distritos, é uma das poucas organizações com presença contínua".

Em 2020, foi obrigada a suspender algumas operações, dada a proximidade de ataques em relação a alguns pontos de intervenção.

Apoio em crescendo

O mais recente avanço foi a reabertura do projeto de Mocímboa da Praia, em setembro, em linha com o aumento de segurança em redor dos projetos de gás.

Ao todo, em cinco anos de conflito, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) já prestou 195.000 consultas de cuidados primários de saúde e tratou 52.000 pessoas com malária, seguindo-se 43.000 com infeções respiratórias.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por uma violência armada, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de violência a sul da região e na vizinha província de Nampula.

Em cinco anos, o conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o ACNUR, e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED. 

 

 

 

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