"Muito assustador". Áustria preocupada com ativistas anti-vacinas que cruzam fronteiras

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Protestos contra as restrições e a vacinação obrigatória contra a covid-19, em Viena Lisi Niesner - Reuters

A agência de informação austríaca está preocupada com os ativistas anti-vacinas que cruzam fronteiras para “espalhar a sua ideologia extremista”. O chefe dos serviços secretos da Áustria descreve esta realidade como “muito assustadora”.

Os serviços de informação austríacos estão em alerta com os grupos de ativistas anti-vacinas que viajam de capital em capital para se juntarem a manifestações contra as vacinas e as restrições impostas para controlar a pandemia.

Da França à Holanda, da Alemanha à Bélgica, vários países europeus têm sido palco de manifestações nos últimos meses, que por vezes se tornaram violentas.

A Áustria não é exceção e transformou-se mesmo num país apelativo aos ativistas anti-vacinas ao tornar-se a primeira nação da União Europeia a adotar a vacinação contra a covid-19 obrigatória. A medida entra em vigor a 4 de fevereiro e quem não se vacinar terá de pagar uma multa que pode chegar aos 3600 euros.

A medida desencadeou uma onda de manifestações em Viena, que contou com a participação de vários ativistas estrangeiros, oriundos principalmente da vizinha Alemanha e Suíça. Na Áustria, dezenas de milhares de pessoas têm sido à rua quase todas as semanas em protesto desde que o Governo anunciou que iria tornar a vacinação contra a covid-19 obrigatória.

Haijawi-Pirchner, que assumiu a chefia da recém-reformada agência de informação DSN, da Áustria, em dezembro, diz que a radicalização de alguns ativistas e a crescente dimensão internacional dos protestos é “muito, muito assustadora”. A agência DSN vem substituir a antiga BVT, agência de Proteção da Constituição e Contraterrorismo. A principal missão de Omar Haijawi-Pirchner é restaurar a imagem de uma agência manchada por uma série de polémicas relacionadas com a Rússia. A DSN é agora um serviço “híbrido”, que engloba tanto o trabalho de serviço de inteligência quanto o trabalho policial.

“Muitos ativistas estão fortemente radicalizados” e aproveitam estes encontros para “fazer reuniões e construir uma rede” com “os seus companheiros de extrema-direita”, num contexto de “antissemitismo”, alerta Haijawi-Pirchner, em entrevista à agência France-Presse (AFP).
Ameaças às “infraestruturas críticas”
Haijawi-Pirchner afirma que estão ainda a assistir a “ameaças às infraestruturas críticas”, com os media, centros de saúde e políticos entre os alvos.


As autoridades austríacas estabeleceram recentemente perímetros de segurança em torno de hospitais, centros de testagem e de vacinação com receio de uma possível onda de violência.

As infeções por covid-19 têm vindo a aumentar à medida que a variante Ómicron se propaga rapidamente na Áustria. Na quinta-feira, o país registou um novo recorde diário, com 43.053 casos de covid-19 confirmados.

Para além da vacinação obrigatória, o Governo austríaco anunciou ainda uma verba de mil milhões de euros para uma lotaria para vacinados. Esta é uma forma de incentivo à vacinação, num país onde 72 por cento da população está vacinada contra a covid-19.

c/ agências
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