Netanyahu condena líderes judeus da Cisjordânia por criticarem plano de paz dos EUA

por Lusa
Reuters

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, criticou duramente os líderes judeus da Cisjordânia que menosprezam o plano de paz elaborado pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump.

"O Presidente Trump é um grande amigo de Israel. Ele liderou um movimento histórico em benefício de Israel", disse hoje Netanyahu num comunicado.

"É lamentável que, em vez de mostrar gratidão, haja quem negue a sua amizade", sublinhou ainda o primeiro-ministro israelita.

Apesar de ser amplamente visto como um plano de paz pró-Israel, o líder dos colonos na Cisjordânia manifestou preocupação sobre os mapas divulgados, que deixariam muitos colonatos como enclaves isolados.

Também rejeitam qualquer reconhecimento de um Estado palestiniano, conforme descrito no plano norte-americano, e pressionaram Netanyahu a fazer mudanças.

Hoje, David Elhayani, presidente do conselho Yesha, representante dos colonos, disse ao jornal Haaretz que o plano provava que Trump "não era amigo de Israel".

Netanyahu, tendo acabado de encontrar líderes de colonos para ouvir as suas queixas, ripostou o ataque.

O presidente do Parlamento, Yariv Levin, que se envolveu na implementação do plano, foi ainda mais longe, chamando as observações de Elhayani de "rudes e irresponsáveis".

Levin disse que exibiram uma ingratidão que foi particularmente prejudicial num momento em que houve "um importante esforço para avançar no processo histórico de aplicação da soberania" em partes da Cisjordânia.

Netanyahu anunciou que anexará partes da Cisjordânia, incluindo o estratégico Vale do Jordão e dezenas de colonatos judeus, em conformidade com o plano de paz norte-americano para o Médio Oriente, apresentado por Trump em janeiro.

O primeiro-ministro sinalizou que começará a avançar com anexação no próximo mês.

O plano dos EUA prevê deixar cerca de um terço da Cisjordânia, que Israel capturou em 1967, sob controlo permanente de Israel, enquanto concede aos palestinianos maior autonomia no restante do território.

Os palestinianos, que buscam ter toda a Cisjordânia como parte de um Estado independente, rejeitaram o plano, dizendo que favorece injustamente Israel.

Os palestinianos já cortaram os principais laços de segurança com Israel e dizem que já não estão vinculados aos acordos assinados.

As preocupações crescem em relação ao retorno à violência se o plano for realmente executado.

O plano de anexação também foi criticado por alguns dos aliados mais próximos de Israel, que dizem que redesenhar unilateralmente o mapa do Médio Oriente destruiria quaisquer esperanças de estabelecer um Estado palestino e alcançar um acordo de paz de dois estados.

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