"Obrigado a Alá pela Covid". Extremista do Estado Islâmico detido em Itália

por RTP
O homem foi capturado em Milão por militares do Grupo de Operações Especiais (ROS) das Forças Armadas de Itália. Foto: Antonio Parrinello - Reuters

Um extremista do autoproclamado Estado Islâmico foi detido pelas autoridades em Milão por incitação ao terrorismo. O homem italiano, de 38 anos, disseminava através de redes sociais mensagens de propaganda à organização. "Obrigado a Alá pela Covid, punição contra os vícios dos infiéis" terá sido uma das frases intercetadas pelas autoridades e agora usada para acusar o suspeito.

Nicola Ferrara, que se radicalizou em 2015 com o nome Issa, foi capturado na cidade de Milão por militares do Grupo de Operações Especiais (ROS) das Forças Armadas de Itália.

De acordo com as autoridades, o homem estava em contacto com outros extremistas e instigava os seus interlocutores a abraçarem “o jihad global” contra todos os infiéis. Agora enfrenta acusações de incitação ao terrorismo, agravadas pela ameaça internacional e pelo proselitismo ligado ao ISIS, assim como pela disseminação de doutrinas perigosas através da Internet.

Segundo o jornal italiano Corriere della Serra, as autoridades relataram que, ao longo de quase cinco anos, Ferrara realizou um trabalho “obsessivo” de divulgação de imagens, áudios e vídeos com conteúdos considerados terroristas nas redes sociais, em especial no Facebook.

Imagens de Bin Laden, das Torres Gémeas, de al-Baghdadi e de combatentes do autoproclamado Estado Islâmico, incluindo crianças armadas e mulheres que seguravam metralhadoras, eram os conteúdos mais partilhados pelo suspeito.

Numa comunicação a 27 de março intercetada pelas autoridades, Nicola Ferrara terá comentado que a Covid-19 “é coisa de Alá, uma coisa positiva”, uma vez que “as pessoas estão a ficar impacientes” e lhes foram “retirados vícios como fumar, beber e sair, que caracterizam o seu estilo de vida”. O “ódio aos judeus, que acusa de atacarem o Islão, e o ódio à cruz, símbolo do cristianismo”, foram também sublinhados nos relatórios das autoridades italianas.

O homem de 38 anos frequentava a associação cultural Al Nur, em Milão, de orientação sunita, onde alegadamente tentava “doutrinar” alguns menores que lá rezavam. “Somos nós quem tem de lutar contra as pessoas que não querem que adoremos Deus”, terá dito a um rapaz de 17 anos numa outra conversa intercetada pelos investigadores.

Ferrara é acusado de se mostrar como “um radical mascarado de homem sábio” a este menor, aconselhando-o a seguir os ensinamentos do islamita Zakir Naik, que atualmente se encontra na Malásia, onde “alistou numerosos jovens no autoproclamado Estado Islâmico”.

O italiano terá ainda dito ao jovem “como alcançar os territórios de conflito, especificamente o Afeganistão”.
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