Ofensiva russa na Ucrânia. A evolução da guerra ao minuto

por Joana Raposo Santos, Inês Moreira Santos, Cristina Sambado - RTP

Marko Djurica - Reuters

Acompanhamos aqui todos os desenvolvimentos sobre a ofensiva militar desencadeada pela Rússia na Ucrânia.

Mais atualizações


22h47 - Lysytchansk continua a ser palco de violentos combates

Continuam a decorrer fortes combates em Lyssychansk, uma grande cidade no leste da Ucrânia e que está no centro da batalha pelo controlo da região do Donbass.

"Os combates estão violentos (...). Felizmente, a cidade continua sob o controlo do exército ucraniano", assegurou durante o dia na televisão Rouslan Mouzytchouk, porta-voz da Guarda Nacional da Ucrânia.

21h43 - Carruagens dos caminhos de ferro ucranianos transformam-se em hospital ambulante

Os caminhos de ferro continuam a desempenhar um papel importante na Ucrânia. Ajudaram na fuga de milhares de pessoas e agora transformaram algumas carruagens num hospital e andam pelas zonas mais afetadas a retirar os feridos.

Alguns vagões frigoríficos estão a ser usados guardar os corpos dos militares russos mortos em combate.

A reportagem é dos enviados da RTP, Paulo Jerónimo e Marques de Almeida.

19h42 - Lukashenko diz que Ucrânia atacou território bielorrusso

O presidente da Bielorrússia afirmou, sem fornecer provas, que a Ucrânia tentou atacar instalações militares em território bielorrusso no início desta semana.

Segundo a Reuters, Alexander Lukashenko garante que as forças armadas ucranianas tentaram atacar instalações na Bielorrússia há três dias, mas que os mísseis foram intercetados. Terá também alegado que a Ucrânia estava a tentar provocar a Bielorrússia, mas que o seu país não tenciona intervir no conflito.

18h42 - Sopa "borscht" é nova frente no conflito com a Rússia

A Rússia reagiu com indignação à inclusão pela UNESCO da sopa 'borscht', típica da Ucrânia, na lista de património cultural imaterial em perigo, uma nova ‘frente’ no conflito bilateral.

No seguimento do anúncio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Rússia reagiu como conta a jornalista Ana Jordão da Antena 1.

17h21 - Mais de 10.000 residentes de Mariupol estão presos em Donetsk

A Câmara Municipal de Mariupol, na Ucrânia, denunciou hoje que há mais de dez mil residentes daquela cidade tomada pelas forças russas que estão presos na autoproclamada República Popular de Donetsk.

“Civis pacíficos foram detidos pelos ocupantes e enviados para locais de detenção. Há conhecimento de quatro destas prisões: duas em Olenivka, o centro de detenção de Donetsk e de Makiivka”, afirmaram as autoridades locais numa mensagem na rede social Telegram e divulgada pelas agências Ukrinform e Unian.

A mesma fonte referiu que os reclusos estão “em condições terríveis e inumanas, como num campo de concentração, presos em celas estreitas de dois por três metros com dez pessoas”.

De acordo com a Câmara de Mariupol, os detidos apenas recebem água e comida e não têm saídas ao exterior nem acesso a cuidados médicos.

“São submetidos a diversas formas de tortura, desde psicológica a física”, frisou.

O presidente da Câmara de Mariupol, Vadim Boychenko, fez um apelo à Cruz Vermelha e às Nações Unidas para prestarem atenção “às detenções ilegais de civis na cidade” e para usarem “todos os recursos possíveis para obter listas de prisioneiros”.

(Agência Lusa)

17h00 - Itália alerta para aumento de preço da energia por fecho temporário de gasoduto russo

O ministro da Transição Ecológica italiano, Roberto Cingolani, alertou hoje que se espera um novo aumento do preço da energia em Itália depois de a Rússia anunciar o fecho do gasoduto Nord Stream para manutenção, adiantou a EFE.

“O fecho por duas semanas do Nord Stream para manutenção terá como resultado um aumento no preço do gás e isto significa que haverá ainda menos gás e que os preços vão subir, porque o mercado de gás é especulativo e haverá mais acumulação”, disse Cingolani numa entrevista televisiva citada pela EFE.

(Agência Lusa)

15h55 - Exército ucraniano nega cerco russo a Lisichansk, no Donbass

Violentos combates decorreram hoje em Lisichansk, cidade no leste da Ucrânia, onde ucranianos e russos lutam pelo controlo do Donbass, que os separatistas pró-russos dizem ter cercado completamente, mas que o exército ucraniano desmente.

“Os combates decorrem em redor de Lisichansk. Felizmente, a cidade não está cercada e está sob controlo do exército ucraniano”, disse em declarações a um canal de televisão o porta-voz da Guarda Nacional da Ucrânia, Rouslan Mouzytchouk.

14h52 - Forças pró-russas anunciam cerco total a cidade de Lisichansk

As forças pró-russas rodearam completamente a cidade de Lisichansk, na região oriental de Lugansk, após ocuparem todas as localidades importantes ao redor da localidade, assegurou hoje Andrei Marochko, porta-voz da milícia separatista.

"Hoje, graças aos esforços conjuntos da milícia popular da república popular de Lugansk e das Forças Armadas da Federação Russa, ocuparam-se os últimos lugares estrategicamente importantes, o que nos permite dizer que a cidade de Lisichansk está completamente rodeada", disse às agências russas Interfax e TASS.

Segundo noticiou esta manhã a agência oficial RIA Novosti, as tropas pró-rrusas ocuparam a localidade de Zolotarivka, a oeste de Lisichansk, mas faltava tomar o controlo de Bilohorivka, a seis quilómetros da primeira cidade, para fechar completamente o cerco.

O líder checheno, Ramzan Kadirov, cujos homens combatem na zona, sublinhou na sua conta de Telegram que Lisichansk está "completamente rodeada por forças aliadas", ou seja, russas e pró-rusas.

"Pode supor-se que em breve começará um ataque de larga escala contra a cidade. O inimigo não tem para onde ir, já que todas as entradas e saídas da cidade estão bloqueadas. Romper o denso anel do cerco não funcionará, mesmo se o tentarem com todas as forças", sustentou.

Pouco depois acrescentou, numa segunda mensagem, que as "unidades aliadas" já estavam no centro da cidade.

O assessor do ministro do Interior da autoproclamada república popular de Lugansk, Vitali Kiselev, assegurou à TASS que Lisichansk, último bastião de Kiev na região de Lugansk, cairá nos "próximos dois dias", totalmente sob controlo dos pró-rusos, enquanto Marochko só falou de "um futuro próximo".

(Agência Lusa)

14h33 - Zelensky diz que ataque em Odessa foi "deliberado"

Volodymyr Zelenskyy diz que o ataque a um prédio residencial em Odessa, na Ucrânia, foi deliberado. Morreram 21 pessoas, incluindo duas crianças. Em Mariupol, os militares russos começaram a construir apartamentos residenciais


14h04 - Rússia confirma ataques no Donbass e Mykolaiv

Moscovo continua a tentar controlar região sul da Ucrânia. Esta madrugada fizeram-se sentir, ao início da madrugada, explosões em Mykolaiv. O objetivo será "fechar toda a região do Mar Negro", embora com vários avanços e recuos nesta ofensiva.


13h20 - Kiev diz que encontrou disco rígido com informação confidencial russa

Citada pela Sky News, a Guarda Fronteiriça da Ucrânia afirma ter encontrado um disco rígido com cerca de 100 GB de informações confidenciais relacionadas com as Forças Armadas da Rússia.

A instituição alega que o disco foi encontrado na região de Chernihiv. Nele, estão informações biográficas relativas a uma unidade de defesa aérea da Rússia, bem como detalhes sobre o armamento e exercícios militares russos.

"As forças de segurança da Ucrânia têm agora fotografias, características, cópias de passaportes e outros documentos dos invasores", refere a Guarda.

12h47 - Zelensky condena ataque russo a edifício civil em Odessa

Volodymyr Zekenskiy condenou os ataques com mísseis russos perto do porto de Odesa que, segundo as autoridades, mataram pelo menos 21 pessoas.


11h40 - Ucrânia "sofre perdas significativas em todas as frentes", alega a Rússia

O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, alegou que as tropas ucranianas estão a sofrer "perdas significativas em todas as frentes", tendo três batalhões perdido mais de metade dos seus homens "num só dia".

"O inimigo sofre perdas significativas em todas as frentes. Nas áreas das localidades de Verkhnekamenka e Zolotarevka, três batalhões das Forças Armadas da Ucrânia perderam mais de 50% de seu pessoal em apenas um dia de luta", afirmou Konashenkov, citado pela Tass.

10h48 - Moscovo destruiu cinco postos de comando ucraniano

O Ministério da Defesa da Rússia, citado pela Reuters, afirmou que as forças russas destruíram cinco postos de comando do exército ucraniano na região do Donbass e Mykolaiv com armas de alta precisão. Segundo a mesma fonte, também atingiram três locais de armazenamento na região de Zaporizhzhia.

O Ministério, citado por agências de notícias russas, também disse que a força aérea russa atingiu uma base ucraniana de armas e equipamentos numa fábrica de tratores em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia.

10h36 - EUA enviam mais apoio militar à Ucrânia

Segundo o Guardian, os Estados Unidos vão enviar para a Ucrânia dois sistemas de mísseis terra-ar Nasams, quatro radares de contra-artilharia e até 150.000 cartuchos de munição de artilharia de 155 mm.

10h21 - Ucrânia afirma ter matado 120 soldados russos em 24 horas

As Forças Armadas da Ucrânia afirmam ter matado 120 soldados russos em 24 horas, elevando o total de baixas militares do invasor para 35.870. Kiev reclama também ter destruído 1.582 tanques e 15 navios de guerra da Rússia.



9h57 - Kiev estima que pelo menos 344 crianças foram mortas desde início da guerra

As autoridades ucranianas estimaram hoje que pelo menos 344 crianças foram mortas desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, havendo ainda a contabilizar 640 menores com ferimentos.

Segundo dados do Ministério Público ucraniano a maior parte destas vítimas (mortos e feridos) registaram-se nas regiões de Donetsk (340), Kharkiv (185), Kiev (116), Chernigiv (68), Lugansk (61), Mikolaiv (53), Kherson (52) e Zaporijia (31).

As autoridades indicaram ainda que 2.102 estabelecimentos de ensino foram atingidos na sequência dos ataques aéreos e de artilharia russas, dos quais 215 ficaram totalmente destruídos.

No início de junho, a Rússia referiu que mais de 300 mil crianças ucranianas se encontravam no seu território, desde o início do conflito, com Moscovo a considerar que tais movimentações ocorreram no âmbito de “deslocações” e Kiev a classificá-las como “expulsões ilegais”.

O último balanço das Nações Unidas, em 27 de junho, indicou que desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, tinham sido mortas 330 crianças e feridas 489, num total de 4.731 civis mortos e 5.900 feridos.

(Agência Lusa)

9h28 - Rússia está a conseguir “pequenos avanços” no redor de Lysychansk

As forças russas continuam a conseguir "pequenos avanços" na cidade estratégica de Lysychansk no leste da Ucrânia, com ataques aéreos e de artilharia a continuarem no distrito, revelaram os serviços secretos britânicos.

As forças ucranianas continuam provavelmente a bloquear as forças russas na periferia sudeste da cidade ucraniana oriental, segundo o último relatório do Ministério da Defesa do Reino Unido.
A Rússia está provavelmente a sofrer uma diminuição dos stocks de armas modernas e mais precisas.

9h00 -Sirenes de ataque aéreo soaram em Mykolaiv

O presidente da câmara de Mykolaiv, que faz fronteira com a cidade portuária de Odessa, revelou que várias explosões abalaram a localidade. 

“Há fortes explosões na cidade! Mantenham-se nos abrigos”, pediu Oleksandr Senkevich.

8h40 - Reconstrução da Ucrânia deve incluir componente ambiental

O plano de reconstrução da Ucrânia terá de incluir uma componente ambiental para restaurar os ecossistemas do país devastados pela guerra, defendeu o Comissário da União Europeia (EU) Virginijus Sinkevicius.

Durante uma recente visita ao país, devastado pela guerra, o comissário europeu falou de um "ecocídio".

Destruição em massa de florestas, terras agrícolas minadas e poluídas por substâncias químicas espalhadas por armamento e munições, cursos de água e solos contaminados ao redor de instalações industriais bombardeadas, além da destruição de infraestruturas e de vidas humanas foram alguns aspetos mencionados por Virginijus Sinkevicius.

"Há que olhar para a dimensão da catástrofe causada pela estratégia russa: há vidas e destinos humanos desfeitos, famílias separadas e, também, danos ambientais. Quando se chega à floresta e se veem 700 hectares destruídos, explodidos e reduzidos a trincheiras, é de partir o coração, é um crime de grande envergadura", referiu o responsável da EU.

Em 23 de junho, Virginijus Sinkevicius tinha constatado estes danos nas áreas florestais à volta de Kiev.

"Serão necessárias gerações para reparar este ecocídio. Mas vamos fazê-lo, a Ucrânia recuperará o seu meio ambiente único", escreveu o comissário no Twitter, apesar de a qualificação de ecocídio ainda não fazer parte do universo legislativo da UE.

(Agência Lusa)

8h00 - Gazprom baixa exportações e UE prepara-se para viver sem energia russa

A Gazprom exportou no primeiro semestre menos 31% de gás do que no mesmo período do ano passado para os países fora do espaço da pós-soviética Comunidade de Estados Independentes (CEI).

As exportações para fora da CEI ficaram-se pelos 68,9 mil milhões de metros cúbicos (mmmc), menos 31 mmmc, segundo um comunicado da Gazprom.

Entretanto, a Comissão Europeia está a preparar um plano de emergência para ajudar os Estados membros a viverem sem a energia russa, no seguimento da invasão russa da Ucrânia.

(Agência Lusa)

Ponto da situação

  • A Embaixada da Ucrânia em Ancara pediu à Turquia que travasse um navio russo que chegou perto da turca no mar Negro proveniente do porto ucraniano de Berdiansk, sob ocupação russa. A embarcação Zhibek Zholy, um cargueiro de 140 metros de cumprimento com a bandeira da Rússia, ancorou a cerca de um quilómetro do porto de Karasu, na costa turca a leste de Istambul, de acordo com o ‘site’ Marine Traffic, que monitoriza as movimentações dos barcos. “O Zhibek Zholy de Berdansk ocupado entrou no porto de Karasu. A pedido do procurador ucraniano, pedimos ao lado turco que tomasse as medidas necessárias”, adiantou o embaixador Vasyl Bodnar no Twitter. Embora não especifique o tipo de carga a bordo, a mensagem sugere que o diplomata suspeita da presença de cereais ucranianos.

  • O exército da Ucrânia acusou os russos de dispararem bombas de fósforo na Ilha da Serpente, no Mar Negro, da qual as forças de Moscovo se retiraram na quinta-feira, depois de terem sido expulsas pelos ucranianos. "Por volta das 18h00, as forças armadas russas efetuaram dois ataques aéreos com bombas de fósforo na Ilha da Serpente", escreveu o comandante ucraniano Valeriy Zaluzhny, através do Telegram, acusando Moscovo de "não respeitar as suas próprias declarações". No dia anterior, o exército russo tinha dito que retirou do simbólico território "como um sinal de boa vontade", tendo "cumprido" os "objetivos definidos".

  • O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reforçou na sexta-feira a sua campanha para obter apoio da América Latina, com telefonemas dirigidos aos líderes da Argentina e do Chile. “Continuo a estabelecer relações com uma região importante – a América Latina”, escreveu o chefe de Estado ucraniano nas redes sociais.

  • Pelo menos 21 pessoas, incluindo duas crianças, morreram depois de dois mísseis russos terem atingido um bloco de apartamentos de vários andares e um centro recreativo numa pequena cidade costeira perto de Odesa, um ataque que as autoridades ucranianas interpretaram como vingança por as tropas russas terem sido forçadas a abandonar a Ilha da Serpente um dia antes. O gabinete do presidente ucraniano disse que três mísseis X-22 disparados por aviões de guerra russos atingiram um bloco de apartamentos e um parque de campismo pouco antes da 1 da manhã de sexta-feira, hora local.